sábado, 14 de março de 2009

África

Imagem extraída do site: Olymus Global

Há tempos venho recebendo e-mails do amigo Ricardo M. Faria (historiador de Minas Gerais), com variadas apresentações em pps, muitas das quais não havia visto. Esses dias resolvi organizar minha caixa de mensagens e entre as muitas que vi, encontrei uma apresentação sobre a África que me tocou profundamente e, por esse motivo resolvi compartilhá-la primeiramente através de e-mail para alguns amigos, depois pensei: Por que não postar algo aqui no meu blog?

Coincidentemente, Ilze (uma amiga letona que vivia comigo aqui em Orduña) embarcou hoje para África do Sul para encontrar seu amor boer e eu, por curiosidade acessei o site indicado ao fim a tal apresentação (por isso os créditos são tão importantes na hora de encontrar as fontes) e vi todas as fotos de "One day in Africa as seen by 100 photographers" integrante do projeto "Olympus, sua visão, nosso futuro".

No site da Olympus podemos ver algumas fotos da África, imagens tristes, curiosas, belas e humanas.

Nós brasileiros levamos conosco importante contribuição desse continente e pouco sabemos dele. Em geral sabemos o que a tv e o jornais publicam, muitas vezes de maneira equivocada. Salvo, alguns historiadores e científicos que têm a África como objeto de pesquisa ou ainda, curiosos mais atentos, muitos de nós, conhecemos o que vemos em filmes (já há algum tempo a África tem sido tema para a 7a. Arte). Contudo, muitos ainda nem se deram conta de que o Egito, por exemplo, lugar mais conhecido por ocidentais, encontra-se na África (em parte culpa da educação, que até tempos atrás não contemplava África no curriculum de maneira adequada), digo isso com base em perguntas que fiz a meus alunos em sala de aula (conhecem as histórias, lendas e outras coisas que o videos jogos utilizam, mas não a localização, estranhavam quando eu dizia que o Egito é africano, mais ou menos como quando se referem aos americanos, sempre lhes vem à mente os EUA, norte-americanos, tão americanos quanto nós brasileiros). Ainda sobre o Egito, curiosamente, trazemos em nosso imaginário um Egito branco, branqueado pelo cinema, com Cleópatras europeizadas, de olhos azuis (como Liz Taylor), quando na realidade a tez e traços são bem outros.

África, um continente por onde passaram na antiguidade, fenícios, gregos, romanos, bizantinos, árabes. Já no século XIV, com o advento da navegação os portugueses ocupariam as Ilhas Canárias (hoje espanholas) e em seguida, alimentariam o tráfico de escravos juntamente com Inglaterra. Posteriormente, seria a vez do neo-colonialismo de países como Bélgica, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, Portugal (novamente), Holanda e Espanha, teríamos por consequência uma África dissidente e dividida, resultado de territórios usupardos, tribos divididas, famílias separadas e culturas ameaçadas, tudo, em nome da expansão de territórios e poder. Heranças culturais destruídas, objetos de arqueologia e arte saqueados e espalhados pelos museus do mundo ou o que é pior, em coleções privadas.

Grandes diamantes adornando pescoços e dedos de gente famosa que por vezes revertem a seu favor a mea culpa que fazem com visitas midiáticas aos países desse continente, ou ainda, o imaginário caçador e aventureiro do homem colaborando com extinção de animais, como os gorilas das montanhas de Ruanda.

Ademais de tudo isto, a África continua sendo devastada por conflitos bélicos, doenças, fome e toda sorte de intempéries.

O que estraga esse mundo lindo em que vivemos, é a praga chamada Homem. Quando vejo algumas imagens nos jornais, na tv, ou mesmo em fotografias como essas, fico revoltada e paro para pensar numa frase de Saramago (que esteve em Madri esses dias, juntamente com Fernando Meirelles, para divulgar o filme "Blindness", baseado no livro "Ensaio sobre a Cegueira"). O autor português encerrou a entrevista que deu ao jornal "El País" dizendo:

"Los unicos que pueden cambiar el mundo son los pesimistas. A los optimistas ya les parece bién como está".

A qual grupo pertencemos? Fica aí a reflexão.

De tudo podemos extraír algo interessante, eu amo o cinema e de maneira responsável e não como um tapa buraco para aulas, fiz uso do recurso em minha curta carreira na escola pública... Nesse mundo de imagens em que vivemos, o cinema e a fotografia são uma maneira de mostrar coisas. Na realidade, com tempo curto para exibir filmes na íntregra na escola pública, indicava os filmes e logo discutíamos em sala de aula com todos. A seguir elaborei uma lista que contempla Àfrica, gostaria de ressalvar que os filmes não passam somente na África, mas se pode obter informações e entender um pouco mais da relações do continente ou de lugares pontuais da África com o resto do mundo.

O primeiro que vi, ainda na adolescência, foi a série para TV "Raízes" baseada na obra de Alex Haley, a história de Kunta Kinte, isso no fim dos 70 ínico dos 80. Verdade, é que a maioria desses filmes me emocinaram, assim como os jornais e televisão quando em 1994 noticiaram o conflito étnico entre Hutus e Tutsis, genocidio cometido em Ruanda, seguido por uma epidemia de cólera que afetaria também os países vizinhos.

- Entre dois amores, de Sydney Pollack - 1985 (Quênia)
- A sombra e a escuridão, de Stephen Hopkins - 1996
- O céu que nos protege, de Bernardo Bertolucci - 1990 (África do Norte)
- A intérprete, de Sydney Pollack - 2005
- Hotel Ruanda, de Terry George - 2004 (Ruanda)
- O jardineiro fiel, de Fernando Meirelles, 2005 (Quênia)
- Diamantes de Sangue, de Edward Zwick, 2006 (África do Sul)
- Sarafina, o som da liberdade, de Darrel Roodt, 1993 (África do Sul)
- O último rei da Escócia, de Kevin Macdonald , 2006 (Uganda)
- Nas montanhas dos gorilas, de Michel Apted, 1988 (Ruanda)
- Amistad, de Steven Spielberg, 1997 (escravidão)
- Amor sem fronteiras, de Martin Campbell, 2003 (Etiópia)
- O Senhor das Armas, de Andrew Niccol, 2005.
- Tiros em Ruanda, de Michael Caton-Jones , 2005 (Ruanda)
- Raízes, minissérie de1977 (História de Kunta Kinte)
- Lugar nenhum na Africa, de Caroline Link, 2002 (Quênia)
- Infância roubada (TSOTSI), de Gavin Hood, 2005 (África do Sul)
- África dos meus sonhos, de Hugh Hudson, 2000
- Yesterday, de Darrell Roodt , 2004
- A luta pela liberdade, de Bille August, 2007 (sobre a vida de Nelson Mandela)
- Darling! Tranformando vidas, Julian Shaw, 2007 (documentário)
- ABC Africa, documentário de Abbas Kiarostami, 2001 (sobre orfãos, aids)
- Kiriku e a feiticeira, animação de Michel Ocelot, 1998 (lindo desenho animado)
- Lingua: Vidas em Português, de Victor Lopes, 2004 (colônias portuguesas na África)
- Babel, de Alejandro González Iñarritu, 2006 (entre outros lugares Marrocos)
- Os Deuses devem estar loucos, de Jamie Uys, 1980 (enfim, uma comédia)
- Um grito de liberdade, de Richard Attenborough, 1997 (Apartheid)
- Montanhas da Lua, de Bob Rafelson, 1990 (colonialismo britânico)

Vale lembrar que a grande maioria desses filmes, são produções americanas ou européias, infelizmente não conheço muito do cinema originalmente africano, seria interessante, poder confrontar as partes e ver as divergentes visões sobre o continente. As observações entre parentêses referem-se ao lugar em que a história supostamente se passa, mas, nem sempre onde foram rodadas, simplesmente por questões de custos, deslocamento e segurança.

Mas, nem tudo é tristeza... tanto nas fotos do projeto Olympus, quanto em algumas cenas dos filmes aqui mencionados, podemos ver imagens de uma natureza exuberante, de um povo forte e cheio de esperança. A "Mãe África" que fascina a muitos.

Boa viagem!

Site da Olympus:

Um comentário:

  1. África es un continente desconocido, rico y con bella cultura. En nuestro país tenemos mucho de influencia africana en nuestra comida, música, baile e incluso algunos ritos. Mi bisabuelo era negro y voy a indagar las raíces de él. Era de la zona de Zaña, en la que hubo mucha esclavitud; a la gente de ahí se las llamó negro zaña y creo que sus orígenes son la zona central de África, (quizá Fernando Poo o Guinea). En el Perú lo negro se instala en 3 lugares, Piura, Lambayeque e Ica. De ahí vienen los ritmos, las danzas y las ricas comidas que prepararon para los ricachones españoles. Hubo un primer santo mulato llamado Fray Martín de Porres, recién canonizado en 1963. Eran santos nuevos para el nuevo mundo. Si puedes comprar, busca una selección interesante de la compañía de discos de David Byrne, el disco se llama EL ALMA NEGRA DEL PERÚ.

    ResponderExcluir

Obrigada pela visita e comentário. Em breve seu comentário será publicado.

Outras viagens que podem interessar:

Related Posts with Thumbnails