sábado, 14 de março de 2009

África

Imagem extraída do site: Olymus Global

Há tempos venho recebendo e-mails do amigo Ricardo M. Faria (historiador de Minas Gerais), com variadas apresentações em pps, muitas das quais não havia visto. Esses dias resolvi organizar minha caixa de mensagens e entre as muitas que vi, encontrei uma apresentação sobre a África que me tocou profundamente e, por esse motivo resolvi compartilhá-la primeiramente através de e-mail para alguns amigos, depois pensei: Por que não postar algo aqui no meu blog?

Coincidentemente, Ilze (uma amiga letona que vivia comigo aqui em Orduña) embarcou hoje para África do Sul para encontrar seu amor boer e eu, por curiosidade acessei o site indicado ao fim a tal apresentação (por isso os créditos são tão importantes na hora de encontrar as fontes) e vi todas as fotos de "One day in Africa as seen by 100 photographers" integrante do projeto "Olympus, sua visão, nosso futuro".

No site da Olympus podemos ver algumas fotos da África, imagens tristes, curiosas, belas e humanas.

Nós brasileiros levamos conosco importante contribuição desse continente e pouco sabemos dele. Em geral sabemos o que a tv e o jornais publicam, muitas vezes de maneira equivocada. Salvo, alguns historiadores e científicos que têm a África como objeto de pesquisa ou ainda, curiosos mais atentos, muitos de nós, conhecemos o que vemos em filmes (já há algum tempo a África tem sido tema para a 7a. Arte). Contudo, muitos ainda nem se deram conta de que o Egito, por exemplo, lugar mais conhecido por ocidentais, encontra-se na África (em parte culpa da educação, que até tempos atrás não contemplava África no curriculum de maneira adequada), digo isso com base em perguntas que fiz a meus alunos em sala de aula (conhecem as histórias, lendas e outras coisas que o videos jogos utilizam, mas não a localização, estranhavam quando eu dizia que o Egito é africano, mais ou menos como quando se referem aos americanos, sempre lhes vem à mente os EUA, norte-americanos, tão americanos quanto nós brasileiros). Ainda sobre o Egito, curiosamente, trazemos em nosso imaginário um Egito branco, branqueado pelo cinema, com Cleópatras europeizadas, de olhos azuis (como Liz Taylor), quando na realidade a tez e traços são bem outros.

África, um continente por onde passaram na antiguidade, fenícios, gregos, romanos, bizantinos, árabes. Já no século XIV, com o advento da navegação os portugueses ocupariam as Ilhas Canárias (hoje espanholas) e em seguida, alimentariam o tráfico de escravos juntamente com Inglaterra. Posteriormente, seria a vez do neo-colonialismo de países como Bélgica, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, Portugal (novamente), Holanda e Espanha, teríamos por consequência uma África dissidente e dividida, resultado de territórios usupardos, tribos divididas, famílias separadas e culturas ameaçadas, tudo, em nome da expansão de territórios e poder. Heranças culturais destruídas, objetos de arqueologia e arte saqueados e espalhados pelos museus do mundo ou o que é pior, em coleções privadas.

Grandes diamantes adornando pescoços e dedos de gente famosa que por vezes revertem a seu favor a mea culpa que fazem com visitas midiáticas aos países desse continente, ou ainda, o imaginário caçador e aventureiro do homem colaborando com extinção de animais, como os gorilas das montanhas de Ruanda.

Ademais de tudo isto, a África continua sendo devastada por conflitos bélicos, doenças, fome e toda sorte de intempéries.

O que estraga esse mundo lindo em que vivemos, é a praga chamada Homem. Quando vejo algumas imagens nos jornais, na tv, ou mesmo em fotografias como essas, fico revoltada e paro para pensar numa frase de Saramago (que esteve em Madri esses dias, juntamente com Fernando Meirelles, para divulgar o filme "Blindness", baseado no livro "Ensaio sobre a Cegueira"). O autor português encerrou a entrevista que deu ao jornal "El País" dizendo:

"Los unicos que pueden cambiar el mundo son los pesimistas. A los optimistas ya les parece bién como está".

A qual grupo pertencemos? Fica aí a reflexão.

De tudo podemos extraír algo interessante, eu amo o cinema e de maneira responsável e não como um tapa buraco para aulas, fiz uso do recurso em minha curta carreira na escola pública... Nesse mundo de imagens em que vivemos, o cinema e a fotografia são uma maneira de mostrar coisas. Na realidade, com tempo curto para exibir filmes na íntregra na escola pública, indicava os filmes e logo discutíamos em sala de aula com todos. A seguir elaborei uma lista que contempla Àfrica, gostaria de ressalvar que os filmes não passam somente na África, mas se pode obter informações e entender um pouco mais da relações do continente ou de lugares pontuais da África com o resto do mundo.

O primeiro que vi, ainda na adolescência, foi a série para TV "Raízes" baseada na obra de Alex Haley, a história de Kunta Kinte, isso no fim dos 70 ínico dos 80. Verdade, é que a maioria desses filmes me emocinaram, assim como os jornais e televisão quando em 1994 noticiaram o conflito étnico entre Hutus e Tutsis, genocidio cometido em Ruanda, seguido por uma epidemia de cólera que afetaria também os países vizinhos.

- Entre dois amores, de Sydney Pollack - 1985 (Quênia)
- A sombra e a escuridão, de Stephen Hopkins - 1996
- O céu que nos protege, de Bernardo Bertolucci - 1990 (África do Norte)
- A intérprete, de Sydney Pollack - 2005
- Hotel Ruanda, de Terry George - 2004 (Ruanda)
- O jardineiro fiel, de Fernando Meirelles, 2005 (Quênia)
- Diamantes de Sangue, de Edward Zwick, 2006 (África do Sul)
- Sarafina, o som da liberdade, de Darrel Roodt, 1993 (África do Sul)
- O último rei da Escócia, de Kevin Macdonald , 2006 (Uganda)
- Nas montanhas dos gorilas, de Michel Apted, 1988 (Ruanda)
- Amistad, de Steven Spielberg, 1997 (escravidão)
- Amor sem fronteiras, de Martin Campbell, 2003 (Etiópia)
- O Senhor das Armas, de Andrew Niccol, 2005.
- Tiros em Ruanda, de Michael Caton-Jones , 2005 (Ruanda)
- Raízes, minissérie de1977 (História de Kunta Kinte)
- Lugar nenhum na Africa, de Caroline Link, 2002 (Quênia)
- Infância roubada (TSOTSI), de Gavin Hood, 2005 (África do Sul)
- África dos meus sonhos, de Hugh Hudson, 2000
- Yesterday, de Darrell Roodt , 2004
- A luta pela liberdade, de Bille August, 2007 (sobre a vida de Nelson Mandela)
- Darling! Tranformando vidas, Julian Shaw, 2007 (documentário)
- ABC Africa, documentário de Abbas Kiarostami, 2001 (sobre orfãos, aids)
- Kiriku e a feiticeira, animação de Michel Ocelot, 1998 (lindo desenho animado)
- Lingua: Vidas em Português, de Victor Lopes, 2004 (colônias portuguesas na África)
- Babel, de Alejandro González Iñarritu, 2006 (entre outros lugares Marrocos)
- Os Deuses devem estar loucos, de Jamie Uys, 1980 (enfim, uma comédia)
- Um grito de liberdade, de Richard Attenborough, 1997 (Apartheid)
- Montanhas da Lua, de Bob Rafelson, 1990 (colonialismo britânico)

Vale lembrar que a grande maioria desses filmes, são produções americanas ou européias, infelizmente não conheço muito do cinema originalmente africano, seria interessante, poder confrontar as partes e ver as divergentes visões sobre o continente. As observações entre parentêses referem-se ao lugar em que a história supostamente se passa, mas, nem sempre onde foram rodadas, simplesmente por questões de custos, deslocamento e segurança.

Mas, nem tudo é tristeza... tanto nas fotos do projeto Olympus, quanto em algumas cenas dos filmes aqui mencionados, podemos ver imagens de uma natureza exuberante, de um povo forte e cheio de esperança. A "Mãe África" que fascina a muitos.

Boa viagem!

Site da Olympus:

domingo, 8 de março de 2009

As mulheres da minha vida!

"Muitas vezes basta ser: Colo que acolhe, Braço que envolve, Palavra que conforta, Silêncio que respeita, Alegria que contagia, Lágrima que corre, Olhar que acaricia, Desejo que sacia, Amor que promove"
(trecho de poema de Cora Coralina)

Não se trata de um tributo a Safo de Lesbos, mas, sim de uma homenagem às Mulheres que fazem parte da minha história e como esse diário tem um caráter pessoal, quero aproveitar essa data para lembrar essas importantes pessoas.

Como não poderia deixar de ser, a primeira da lista é a Dona Albertina, aquela que com mansidão e sabedoria própria das pessoas simples me deu a vida e me ensinou muito como mãe carinhosa, mulher exemplar e bondade infinita. Mamy te amo!

E por falar em mãe, não posso deixar de citar aqui a vó da bica e a vó da vila, era assim que carinhosamente chamávamos a vó Maria (avó materna) e a vó Benedita (avó paterna), duas pessoinhas lindas com as quais passei boa parte da infância e adolescência na cidade de Salesopólis no Vale do Paraíba, SP, juntamente com minha tia Lurdes, alegre e carinhosa, mulheres essas das quais tenho muitas saudades. Ah! Tem a vó Palmira também, de quem tenho boas recordações e a Dona Dolores, com a qual passei momentos muito alegres e que para mim é o exemplo da mulher guerreira.

Eu tenho uma irmã! Meu que saco é isso! Vocês não podem imaginar o que é uma pentelha seis anos mais jovem que você, usando suas coisas, tirando tudo do lugar, rindo de tudo e o que é pior... te fazendo mijar (literalmente) nas calças de tanto rir com ela... Essa é a Maristela, Telinha lá em casa, essa menina é de mais! De mais de boa, de mais de risonha, de mais de linda e é, a mãe do Guilherme, o meu Rei Sol. Irmã... como sinto sua falta!

Voltando à mais tenra idade, como diria minha mãe, me lembro da presença marcante da Irmã Salvadora (italiana) e Irmã Rosa (irlandesa) religiosas de ordens diferentes, que estiveram presentes em minha educação, da minha catequista D. Célia e da minha primeira professora D. Nazira, todas elas, um pouco responsáveis pelo que sou hoje... por meus conflitos, indagações e essa vontade de engolir o mundo.

E... o melhor dessa época, as amigas! Como sou privilegiada, mantendo laços de amizade desde a infância, amizades de mais de 30 anos. Tudo bem!! Rosângela e Claudete, sei que a essa altura da vida ficar entregando a idade, não é nada bonito....rs. Vocês não podem imaginar como continuam presentes na minha vida, basta ver um filme, uma imagem ou ouvir uma música, me recordo de tudo que passamos juntas como se fosse ontem. Éramos felizes e não sabíamos! Ahh! Se eu pudesse voltar no tempo... voltaria aos tempos do ginásio. Nossa turma, o cinema de domingo, com direito a pastel e suco de cajú no Romel. Lembram-se? Rô, você terá muito pra contar para Eloah e, eu também quando voltar.

Não posso esquecer algumas professoras claves da minha juventude. Os tempos de ginásio, bons tempos aqueles. Que época maravilhosa! Adorava estudar naquela escola (exceto matemática, rs). As mestras Dona Mara (ciências) adorável, D. Dora (artes) linda, D. Sueli (história) detalhista, D. Cidinha (português) elegante e a D. Romero, mulher forte, exemplar, dedicada à educação, dirigiu aquela escola com pulso forte e muita ternura. Passei momentos maravilhosos de 1980 a 1983, período que estudei na EEPG. Rubens Mercandates de Lima, em Mogi das Cruzes, minha cidade natal. Essas mulheres desempenharam papel fundamental para minha formação profissional e humana.

Já ouviram falar de irmã postiça? Não? Pois bem, vou explicar... eu tenho a Telinha (irmã biológica) e depois, descobri que a Eliane, Lica para os amigos, é minha irmã de alma, de confidências, de balada, de aventuras e que a amo como se fosse do meu sangue, entrou na minha vida graças ao meu irmão e o melhor de tudo, escolheu ficar. Amiga, irmã, obrigada por existir.

Para Telinha ela é a “madinha” a “dinda” Sibélia, para mim “Si” amiga querida que conheci quando tinha uns 17, 18 anos. Veio morar com sua família perto da nossa casa, vizinha cujo o quintal, tinha pitanga, cambuci e muito espaço para criançada. A Si se transformou na minha confidente, era para ela que eu contava as minhas paixões, meus problemas, minhas angústias, minhas alegrias e dividia minha fé também. O tempo passou, nos mudamos, Sibélia sempre muito batalhadora, tentou de tudo um pouco, até que o seu trabalho duro foi convertido em sucesso. O sucesso chamado “Rancho da Traíra”, marca que leva muita gente à Mogi das Cruzes para provar a especialidade da casa: traíra frita sem espinhos e, outras iguarias. Ela, sempre soube dos meus anseios e o desejo de alçar vôos maiores, acompanhou fases da minha vida, visitou minhas casas, etc e, pouco antes de vir para cá passei pelo Rancho para comer um peixe e dar-lhe um abraço. Si, que você continue com esse sorriso que ilumina a todos e essa humildade que certamente te abre e abrirá todas as portas. Saudades!
Com o passar dos anos, fui acumulando amigas, Gislaine, amiga doce e carinhosa (fomos colegas de trabalho) deixamos a empresa e a amizade continuou forte. Isso também passou com a Eliane (mãe do Diogo) sempre me lembro daquele riso característico que ela tem e que agora alegra os amigos do país do sol nascente, onde vive atualmente. Gislaine e Eliane, mesmo longe, vocês são presenças constantes na minha vida e memória.

Ah! A amiga Carmem Margareth serviu de inspiração, me alimentou de sonhos e esperanças com suas histórias de viagens e imagens captadas ao longo delas, com uma voz suave, conhecimento de artes e uma educação que poucos possuem, me fez ver o quão o mundo pode ser pequeno quando sonhamos alto, sobretudo, quando trabalhamos por esse sonho. Obrigada amiga!

Gilda, não esqueço de você viu? Ainda mais que me deixou sozinha com o Xuxu na casa da madrinha (até hoje tenho medo de cachorro..rs) ... Naquela época, ainda não entendia bem o que era sair para balada, mas depois... Mais tarde, sair contigo pra cantar... que bons momentos passamos "quem canta os males espanta" diz o refrão popular, verdade é... que às vezes espantávamos os outros frequentadores do videoquê, rs. Agora, só canto no banheiro amiga.

Em 2005 fazendo um curso na Caixa Cultural da Sé, tive o imenso prazer de conhecer a amiga Flora, estávamos sentadas na mesma fila, logo começamos uma conversa. Eu comecei, claro! Falo pelos cotovelos, quem me conhece sabe, rs. A partir daí, na loucura de Sampa e na medida do possível, considerando a falta de tempo que rege a vida nas grandes cidades, Flora e eu, nos encontrávamos para um café e um bate papo. Ela é uma dessas pessoas cheias de histórias para contar, tem um ar meio aristocrata sem ser pedante, viajada, culta, preocupada com os animais e sobretudo carinhosa, me deu dicas valiosas antes da minha viagem. Valeu amiga!

Ainda durante a faculdade conheci a Eva, uma greguinha meiga, uma menina! Mais jovem que eu, muito determinada e batalhadora, nos aproximamos no primeiro dia de aula e eu tive o prazer de encerrar essa fase, juntamente com ela e a Emília. Em seguida pude presenciar um casamento grego, com direito a dança dos noivos e os populares passos gregos ao som da canção de "Zorba, O grego", imortalizada por Anthony Queen e uma noiva radiante de felicidade.

Além dos amigos, durante a graduação tive a oportunidade de conhecer pessoas que influenciaram em muito minhas atuais escolhas, me refiro às professoras: Cristina, Maria Rita, Joana, Lucileide, Andrea, Rosa, Madalena e em especial a Professora Mônica, essa mulher é um furacão... têm a energia de um géiser, atualizada e conhecedora de seu métier, grande profissional e pessoa. Hoje, posso dizer: tenho uma nova amiga.

Sou nômade, morei na zona sul de Sampa com a Fernanda e depois um pouquinho com a Eloísa na zona oeste. Em realidade vivia mesmo no metrô e nos trens da capital paulista, rs. Fernanda uma garota alegre, inteligente e responsável, vivíamos num sobrado no Bairro de São Judas e apesar de nossos horários não serem os mesmos, sempre que possível comiamos juntas, conversavámos um pouco e ríamos das nossas histórias. Já a Elô (como é chamada Eloísa) conheci através de um ex namorado, o namoro acabou e ganhei uma amiga. Dias antes de vir para o País Basco, passei um mês no apartamento da Elô, havia conseguido um novo trabalho e, como viajar todo dia era muito cansativo, fui morar com ela e sua filha Tabata. A convinvência tranquila, as sopas, patês, mousses e outras comidinhas deliciosas que Elô fazia tornou a curta estada muito feliz e apetitosa eu diria. Elô, que saudades dos nossos cafés. Eu volto!

Eu não páro, é bem verdade... terminada a graduação, comecei a frequentar as aulas de um programa de pós em história da arte, lá conheci muita gente, entre elas a doce Rose e a descolada Beatriz (Bia pros amigos). Passamos momentos muito bons, regados a vinho, o café e os docinhos da Rose, um mimo. Éramos cinco, ou melhor o "Clube do 5" onde falávamos de tudo até altas horas da noite, arte, viagens, sonhos, projetos e homens claro, rs. Bia é artista plástica, criativa e viajada, me contou coisas muito interessantes do período em que viveu na Inglaterra, Rose é carinhosa, sensível e doce, como os doces que prepara, com aqueles olhinhos claros e voz suave deixa entrever a grande mulher que é e, conquista os amigos com "razão e sensibilidade".

Não posso deixar de falar da Ticiani e da Renata, que me deram o Marcello e a Laura, guerreiras, boas mães e... mulheres de muita coragem, afinal aguentar os meus irmãos não é tarefa fácil. E... por falar em Laura, que saudades dessa menina linda, minha sobrinha "gata-garota", marota, inteligente, companheira, divertida e criança da qual sinto muita falta, ela que durante os últimos dias que estive ali, no meu quarto-garagem, esteve comigo me fazendo companhia. Te adoro!

Aqui na Espanha, logo ao chegar conheci a Ilze, uma loira daquelas de cinema, um anjo letão, companheira de muitos momentos e, a doce amiga Roberta, brasileira de Minas Gerais, com aquela fala característica do povo mineiro, um olhar atento, ouvidos sensíveis e um grande coração, em breve, Roberta será mamãe e creio que essas qualidades, somada à outras lhe conferirá mais doçura, quase uma "ambrosia". Felicidades amiga!

Deixo aqui minha singela homenagem, um relato de lembranças pessoais. Homenagem a essas MULHERES MARAVILHOSAS que têm a capacidade de renovar-se diariamente e o dom da sabedoria feminina, intuitivas, fortes e ternas ao mesmo tempo. Cada qual seguiu seu destino e fez suas escolhas e em momentos comuns nossos caminhos se cruzaram, me sinto privilegiada de tê-las conhecido e sei que nesse mundo em que vivemos, haverá momentos em que endurecer será necessário, mas jamais perderemos a ternura, afinal, nascemos MULHER!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Intempéries - O Fim do Tempo




Recebi do Goethe-Institut um e-mail informando sobre a exposição que acontecerá na OCA de 07/03 a 12/04/2009 cujo título: Intempéries - O Fim do Tempo vem ao encontro de muitos fóruns e artigos existentes na rede, nos quais blogueros, jornalistas, curiosos, ecologistas, entre outros, discutem um tema de vital importância para o mundo contemporâneo. Taí, para aqueles que estão em Sampa, essa é uma boa oportunidade de refletir sobre a questão vendo o trabalho de artistas que trazem imagens do Equador ao Pólo Sul, denunciando através da arte o destino escolhido pelo próprio Homem. (confira o Slideshow).

E... por falar em intempéries, experimentamos a cada dia temperaturas e sensações distintas. Ontem, dormi por uma hora ao sol, aquele sol maravilhoso de inverno. Hoje começamos o dia com chuva fina, frio e previsão de neve. As flores começam a colorir a paisagem basca e eu estou feito uma cebola, cheia de camadas de roupa. Como já escrevi por aqui, a Mãe Natureza reclama. Os câmbios climáticos, resultado de muitos anos de maus tratos nos mostram que esse macro-organismo padece e se não fizermos nossa parte, num futuro não tão distante, talvez tenhamos que recorrer às exposições, livros, documentários para conhecer o que um dia foi o planeta Terra. Apocalíptico? Não, eu diria realismo.

Goethe-Institut, Oi Futuro e Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo convidam

Exposição
Intempéries - O Fim do Tempo

Artistas dos cinco continentes expressam o estranhamento do homem diante das transformações climáticas

Fogo, água, ar e terra. Os quatro elementos da natureza dividem os 1.700 metros quadrados da OCA e são o leitmotiv para esta exposição sobre o tempo, as mudanças climáticas e a interdependência entre natureza e atividade humana. Reunindo obras de 28 artistas de 16 nacionalidades, apresentadas em grandes projeções de vídeos e fotografias, a mostra procura, mais do que uma abordagem científica, dar um tratamento artístico ao tempo e à paisagem.

Como categoria estável e atemporal, o tempo perdeu sua poesia e estética ao se transformar em clima, uma entidade anônima e amedrontadora que a qualquer momento é capaz de deflagrar uma catástrofe. As mudanças climáticas causadas pelo homem ou pela natureza sempre vêm acompanhadas de mudanças culturais e de atitude. O corpo e os sentidos são expostos a novas experiências. As mudanças climáticas fizeram do tempo intempérie.

Do Equador até o Pólo Sul, os artistas da mostra encontraram intempéries. O nigeriano George Osodi pesquisou as condições apocalípticas na produção de petróleo no delta da Nigéria. Os alemães Michael Sailstorfer e Jürgen Heinert incendiaram uma cabana até que sobrasse apenas a estufa incandesente. O holandês Guido van der Werve mostra como um navio quebra-gelo persegue um andarilho solitário no congelado Golfo da Finlândia, enquanto o brasileiro Thiago Rocha Pitta é testemunha de um naufrágio. Assim, a arte que expressa o estranhamento do homem diante das transformações climáticas que assolam o mundo, pode contribuir para a preservação do tempo e da paisagem.

Com curadoria internacional de Alfons Hug, diretor do Goethe-Institut Rio de Janeiro, e curadoria nacional de Alberto Saraiva, a exposição é realizada pelo Goethe-Institut, Oi Futuro (Rio de Janeiro) e a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo e é organizada em colaboração com a 2ª Bienal do Fim do Mundo, que acontecerá nos meses de abril e maio de 2009 em Ushuaia e em El Calafate (Argentina) e na Antártida.

EXPOSIÇÃO INTEMPÉRIES – O FIM DO TEMPO

ARTISTAS

Caio Reisewitz (Brasil)
Laura Vinci (Brasil)
Botner e Pedro (Brasil)
Marcos Abreu (Brasil)
Paulo Climachauska (Brasil)
Thiago Rocha Pitta (Brasil)
Tina Velho (Brasil)
Vicente de Mello (Brasil)
Zalinda Cartaxo (Brasil)
Michael Sailstorfer/Jürgen Heinert (Alemanha)
Lutz Fritsch (Alemanha)
Yang Shaobin (China)
Reynold Reynolds (EUA)
Shin Kiwoun (Coréia)
Mika Rottenberg (Argentina/EUA)
Alexander Nikolayev (Uzbequistão)
Simon Faithfull (Inglaterra)
George Osodi (Nigéria)
Guido van der Werve (Holanda)
Eugenio Ampudia (Espanha)
Ann Veronica Janssens (Bélgica)
Andrej Zdravic (Eslovênia)
Diana Lebensohn (Argentina)
Phil Dadson (Nova Zelândia)
Thomas Mulcaire (África do Sul)

Exposição Intempéries – O Fim do Tempo
7 de março a 12 de abril, 2009
OCA – Pavilhão Lucas Nogueira Garcez
Parque do Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – São Paulo
Horário de funcionamento:
3ª a 6ª, das 14h às 20h
sábados, domingos e feriados, das 10h às 20h
Entrada Franca

Informações: www.goethe.de/saopaulo

terça-feira, 3 de março de 2009

Com que roupa eu vou? – Carnaval no País Basco.

Não! Não se trata de dúvida de que roupa colocar para sair para balada, casamento ou coisa do tipo. Trata-se de um disfarce de Carnaval, uma fantasia. Que eu me lembre, usei uma fantasia de Carnaval uma única vez. Eu tinha uns 16 ou 17 anos, o flyer dizia entrada franca para quem vier vestida de havaina. Eu... não tinha roupa de havaina, mas uma amiga tinha uma roupa de baiana, rs, isso mesmo, uma roupa vermelha de bolinhas brancas, cheia de babados, no melhor estilo Carmen Miranda, não tive dúvidas, vesti a tal fantasia, coloquei uns colares de flores coloridas, me enchi de coragem e fui para o salão. Chegando lá o porteiro: Hei! Garota, essa roupa não é de havaina?! Eu respondi com uma pergunta. – Como não???? (indignada) Não vê que se trata de uma havaina estilizada no melhor estilo tropical? Taí, ainda não entendia o conceito “baianidade”[1] mas, a criatividade e jogo de cintura já estavam presentes. A verdade é que o episódio rendeu boas gargalhadas e foi uma das poucas vezes em que pulei carnaval junto à minha turma de amigos.

Sábado de Carnaval - Praça maior de Orduña.

Confesso que não sou muito de Carnaval, inclusive já disse isso em outro post, creio que os excessos, muita gente na rua, muito barulho, muita bebedeira, muito calor, muito tudo me incomodam e acabo perdendo a chance de apreciar o “maior espetáculo da terra” isso é o que as manchetes de jornais aqui noticiam e, só agora pude entender o porque do nosso Carnaval fascinar tanto aos estrangeiros. Animação, somada a boa música, sol, calor, muita cerveja, vibração contagiante e pouca roupa, combinação perfeita para atrair tanta gente. Isso não é uma crítica anti-carnaval, ao contrário, trata-se de um elogio e explico porque: por aqui o Carnaval de igual só tem a bebedeira e as pessoas na rua, a animação é diferente, além do frio, a música e o gingado nada têm a ver com a nossa festa. Tanto é assim que para não morrer de frio e sair um pouco na rua - aqui o Carnaval acontece nas ruas e nos bares, no melhor estilo Salvador, Olinda, São Luis do Paraitinga, guardadas as devidas proporções - eu tive dúvidas entre sair fantasiada de Índia Apache ou Esquimó, porque de Ceci ou Moema, morreria de frio. Escolhi sair de Esquimó e ao som de “Maite zaitut, maite- maite zaitut; pila, pila, pila patata tortilla! Maite zaitut. Maite-maite zaitut, ilargiraino eta buelta maite zaitut”[2] dancei na Plaza Mayor de Orduña, juntamente com piratas, bruxas, toureiros, dançarinas de flamenco, hipppies, ciganas, super-heróis, odaliscas, sultões, mosqueteiros e toda a sorte de animais, aliás uma boa fantasia aqui, seria aqueles bichos de pelúcia Parmalat, espanta o frio e ninguém te reconhece. Havia disfarces muito criativos, feitos de jornal, de material reciclado, de objetos de cozinha, etc. Nerea saiu de Cleópatra, Ainhoa de Cigana e Joseba de Presidiário. Depois, Joseba e eu seguimos para Bilbao, onde a festa não foi diferente.

Parei para pensar e, numa rápida viagem às origens, cheguei a conclusão que quando voltar ao Brasil, tenho que passar um Carnaval em Olinda ou Salvador para ver de perto essa festa, logo outro São Paulo, vendo o desfile das escolas de Samba do Grupo Especial, principalmente para ver o colorido da festa e ouvir o som da bateria. Deve ser, emocionante, eu diria de arrepiar... a platéia em uníssono, cantando o samba enredo das escolas enquanto um mar de alegorias baila ao compasso da bateria, num espetáculo de harmonia e beleza. Coisa que aqui, verdade seja dita, não há. Talvez o mais próximo do nosso Carnaval seja o de Las Palmas de Gran Canaria, todavia tenho que reconhecer que o espetáculo do Carnaval (moderno) é brasileiro, assim como a Tourada é espanhola, o Ritual do Chá é japonês, o Tango é argentino, a Festa dos Mortos é mexicana, os Orixás são africanos, cada macaco no seu galho e, de certa maneira todos representados na nossa festa maior, afinal de contas o Brasil é isso, um pouco de tudo num grande caldeirão cultural, miscigenado e efervescente que atravessa oceanos, desce serras, canta e encanta por onde quer que passe. Impossível é, não mover os pezinhos ou mexer as cadeiras ao ouvir:

“A minha alegria atravessou o mar E ancorou na passarela Fez um desembarque fascinante No maior show da terra Será que eu serei o dono dessa festa Um rei No meio de uma gente tão modesta Eu vim descendo a serra Cheio de euforia para desfilar O mundo inteiro espera Hoje é dia do riso chorar Levei o meu samba pra mãe de santo rezar Contra o mal olhado eu carrego meu patuá Eu levei ! Acredito Acredito ser o mais valente nessa luta do rochedo com o mar E como ar! É hoje o dia da alegria E a tristeza, nem pode pensar em chegar Diga espelho meu! Diga espelho meu Se há na avenida alguém mais feliz que eu!”
(É hoje – Caetano Veloso)

[1] Expressão freqüentemente usada para definir características do “modus viven dos baianos, mais especificamente, dos que nascem em Salvador e no Recôncavo Bahia. Inserido no contexto da construção de tradições (HOBSBAWN e RANG 1984) e de discursos identitários, como forma de produzir coesão e consenso social conceito de baianidade representa uma imagem da Bahia, dos baianos e especificidades, adequando a busca da modernização capitalista, que, neste verbete, refere à industrialização ocorrida a partir da segunda metade do século XX. (...)
Extraído de: http://www.cult.ufba.br/maisdefinicoes/BAIANIDADE.pdf

[2] “Maite Zaitut” Canção basca composta por Xabier Zabala e que fez sucesso na voz de Pirritx eta Porrotx.

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