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A dança das línguas.


"Todo dia duzentos milhões de pessoas levam suas vidas em português. Fazem negócios e escrevem poemas. Brigam no trânsito, contam piadas e declaram amor. Todo dia a língua portuguesa renasce em bocas brasileiras, moçambicanas, goesas, angolanas, chinesas, cabo-verdianas, portuguesas, guineenses. Novas línguas mestiças, temperadas por melodias de todos os continentes, habitadas por deuses muito mais antigos e que ela acolhe como filhos. Língua da qual povos colonizados se apropriaram e que devolvem agora, reinventada. Língua que novos e velhos imigrantes levam consigo para dizer certas coisas que nas outras não cabe." (sinopse do Filme: Língua-Vidas em Portugês de Victor Lopes. Brasil/Portugal, 2004).


Gostaria de somar aos já nominados povos acima uma parcela espanhola... os galegos (oriundos da Comunidad Autónoma Española de Galiza ou Galicia em galego). Por que? Porque são alegres, compreendem ou se esforçam mais para compreender-nos quando falamos, se acercam de nós, lusófonos, com muito mais facilidade que outros... a curiosidade pelo português os fazem mais próximos. Sábado estive na cosmopolita Bilbao com amigos e, entre um vinho e outro, conheci duas galegas: Laura (que vive Pontevedra, Galícia) e Olaia (galega lusofila que vive em Bilbao, País Basco) ambas interessadas na nossa língua portuguesa. Olaia e eu falávamos dos diferentes acentos, livros e cinema... (ela iria ver um filme português "A outra margem" de Luís Filipe Rocha / Portugal, 2007) e, comentávamos que a Espanha comete um erro gravíssimo, na maioria de seus cinemas, exibe todos os filmes dublados... sem som original ou legenda... por isso quase não tenho feito o que mais gostava no Brasil, ir ao cinema. Imagine assistir o filme "Estômago" (de Marcos Jorge, Brasil / Itália, 2007) dublado! Como poderia ouvir o personagem Raimundo Nonato falando em espanhol? É... como ler Saramago e Jorge Amado em espanhol ou Cervantes em português, digo isso por experiência própria, estou lendo "Ensaio sobre a cegueira" de Saramago em espanhol e a leitura não flui.

Observei que a Espanha, luta por um sentido nacional usando a língua como ferramenta para hegemonia e supremacia do Estado (em especial durante o regime Franquista), todavia as comunidades autônomas têm resistido e conseguido manter o uso de suas línguas (galego, catalán, euskera, entre outras) e, algumas inclusive, instituir o ensino obrigatório nas escolas. É curioso que até a língua inglesa aqui é diferente... explico o porque: a pronúncia com acento espanhol fortíssimo e pronunciada ao pé da letra (no inicio estranhei ao ouvir palavras como, wi-fi, rush, punk, label, etc) até aí tudo bem... afinal, falo espanhol com acento português. Porém, o que me chama a atenção e a tradução de nomes próprios (do inglês, alemão, etc) às vezes me provoca riso... porque estou lendo o jornal "El País" ou uma revista ("El Correo" não costuma traduzir os nomes) e me deparo com "La princesa Gracía", "El príncipe Carlos", "El príncipe Enrique" ou ainda Carlos Darwin, Carlos Marx, Ana Frank...Humm! Adivinha quem são? Grace Kelly de Mônaco, Príncipes Charles e Harry da Inglaterra, Charles Darwin (naturalista inglês), Karl Marx (pensador alemão) e Anne Frank (vítima do holocausto).... bem, eu seria então: Margarita. Mas isso nao se trata de regra da academia espanhola e por isso me parece engraçado.... afinal William Shakespeare é William Shakespeare em qualquer lugar do mundo inclusive aqui na Espanha... não vi tradução para o nome por aqui. O que quero dizer é que, se eu me chamo Margarete (equivalente a: Margarita, Margarida, Margareta, Margot), se alguém me chamar na rua por Margarida não vou olhar porque não é meu nome. Compreende?

Diferenças linguísticas à parte, ao final nos entendemos. A linguagem do corpo, bom humor, um bate papo descontraído regado a um bom vinho ou a simplesmente a necessidade de relacionar-se, derrubam qualquer barreira... um exemplo disso, é a família Muguruza (com a qual vivo) acostumada a receber gente de todas as partes, falam espanhol em casa, enquanto as meninas aprendem euskera e inglês na escola. Desde que cheguei em abril passado (4 dias antes de Ilze) escutam português e letão. Às vezes travo, não falo espanhol, nem português, momento em que surge o portunhol ou espaguês, risos, e... nos divertimos, como quando estívemos em Évora, Portugal e eu não conseguia falar português, as palavras simplesmente não saiam. Um mico!

Para terminar, ainda falando ou melhor, escrevendo sobre línguas, em carta aos Coríntios o apóstolo Paulo diz "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine"... Luís de Camões (poeta português) ratificaria Paulo em um de seus Sonetos e, depois gerações de brasileiros cantariam as mesmas palavras através da música "Monte Castelo" da banda Legião Urbana". Palavras que dizem muito num tempo em que os Homens já não se entendem, não mais escutam.

E... se não escutam! Que diferença faz falar uma língua ou outra?

Comentários

  1. Y eso es la belleza de cada lengua; odio la idea de estandarizar todo hacia una lengua y eso es imposible. Aquí en Perú se aprende inglés por la idea errada de ser la única lengua de acceso a la cultura. Hablo otras lenguas (francés, alemán e italiano) y exijo para ellas el respeto como le dan al inglés. En la univesidad pronto enseñaremos portugués de Brasil y lo quiero aprender. Sé bastante de hebreo (viví en Israel casi un año) y me acerqué a las lenguas semíticas, una belleza. Tocar una lengua es tocar el alma de un pueblo, lo es.

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  2. Bella la canción que has agregado a tu texto

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  3. Gosto da linguagem universal do abraço. Acho que até mesmo um ser que nunca tenha dado um abraço compreende o que é quando dá um. Vou vir sempre aqui. Beijoca. De - Bilbao - Taubaté.

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  4. Interessante td o que vc diz.
    Moro aqui em Valencia e até já me acostumei com as dublagens. No comeco foi dificil, mas depois de 5 anos, já nem pensava mais sobre o tema.
    Estou fazendo curso de Inglês na EOI e o Inglês que ensinam e britânico.
    Eu falo o americano, que o predominante no Brasil e qdo eu digo "water" ou "bottle" by american way, só a prof que me entende.
    No final de td, isso nao me incomoda. O que é mais válido é a troca de informacoes.
    Bsssssssssss Fe

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