segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Arte Brasileira para Basco ver.

Nos últimos quatro meses tive a oportunidade de ouvir dois professores distintos nas aulas de história da arte que o Ayutamiento de Orduña em parceria com o Instituto de Estudios de Ocio de la Universidad Deusto ofereceram aqui no Colegio de los Josefinos. Tinha planos de fazer uma pós em História e Sociedade na Universidade Deusto, Bilbao, todavia o curso não foi oferecido por insuficiência de alunos, apesar da decepção inicial, pude perceber que a falta de interesse pela matéria não é privilégio de brasileiro. Voltando às aulas de história da arte, tanto o curso de "Cubismo y Fauvismo: Forma y color en la pintura del siglo XX" dado pelo Prof. Ricardo Aldama quanto "El arte a través de la mirada de las pintoras" dado pela Profa. Itziar Aloria, me mostraram coisas novas e outras já conhecidas sob pontos de vista distintos, que somadas a outros cursos colaboraram para avivar meu interesse pelo assunto. Diferente do curso feito no verão passado na Universidade Deusto "El Interior Holandés en la pintura del siglo XVII europeo", as aulas assistidas aqui em Orduña foram intimistas, descontraídas e mais dinâmicas, em especial pela atuação do Professor Ricardo Aldama e os colegas de classe (éramos 14 alunas e 1 aluno, todos nascidos no País Basco e a brazuca aqui). Durante as aulas, muitas foram às vezes em que me lembrei de coisas do Brasil e não tive dúvida em citá-las, por esse motivo e a pedido dos amigos, em nossa última aula eu apresentei algo sobre História da Arte Brasileira e... digo que para basco ver, porque felizmente eu tinha mais referências da arte na Europa do que os demais em relação à América Latina e Brasil, mas nem por isso estiveram menos interessados.

Confesso que foi gratificante poder falar um pouco sobre as influências, a criatividade, a pluralidade existente no Brasil e mais uma vez mostrar que nosso país vai além da paisagem do Rio de Janeiro, do espetáculo do Carnaval e da beleza e sensualidade da mulher brasileira.

O tempo era curto e quem me conhece sabe que sou detalhista, por isso preparar algo sintético que desse uma noção sobre nossa arte não foi tarefa muito fácil (além do mais a aula teria que ser em espanhol), contudo creio que consegui dar meu recado. Fiquei lisonjeada porque o Professor Ricardo ficou para aula e gostou bastante do que viu e ouviu, usei exemplos muitos próximos do que vimos ao longo das aulas e privilegiei nomes como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, justamente para complementar o curso da Professora Itziar que tratava da mulher artista e a mulher como inspiração. Além do mais na trajetória dessa duas grandes artistas os elementos do Cubismo e Fauvismo estão fortemente presentes, Anita com a cor pura presente em suas pinturas - ver Homem Amarelo - herança do expressionismo e fauvismo, enquanto Tarsila em contato com o cubismo de Fernand Léger, entre outros, nos trouxe a forma como expressão maior em fusão com o espaço - ver Carnaval em Madureira.
Falei da importância da arte rupestre (mostrei fotos do Parque Nacional da Serra da Capivara no Piauí e da Serra da Conceição, Pedra Pintada, em Barão de Cocais, MG), falei do Brasil dos Viajantes, holandeses, franceses e alemães (Frans Post, Jean-Baptiste Debret, Johan Moritz Rugendas) entre outros, que no Brasil estiveram e registraram suas impressões em pinturas, gravuras e desenhos, da criação da escola de Belas Artes no Rio de Janeiro, do Barroco Brasileiro - pintura, arquitetura e escultura - dando enfâse a nomes como: Mestre Ataíde, João Nepomuceno de Castro, José Teófilo de Jesus, José Leandro de Carvalho e Antonio Francisco Lisboa "Aleijadinho", todos ficaram encantados com os detalhes e a riqueza visual desse período, logo, vimos a pintura realista e romântica da academia brasileira, artista como: Pedro Américo, Victor Meirelles, Almeida Júnior, Rodolpho Bernadelli, Artur Timótheo da Costa, José Maria de Medeiros, Rodolfo Amoedo, Belmiro de Almeida, etc, figuraram como personagens importantes da nossa arte. Encerrei a aula com a Semana de Arte Moderna de 1922, introduzindo inicialmente a Lasar Segall e Anita Malfatti como precursores desse importante momento.

Da necessidade de beber em outras fontes e produzir com autonomia uma arte com elementos nacionais, a Semana de Arte Moderna mostrou-nos uma identidade plural e brasileira, como mais tarde ratificaria o antropólogo Darcy Ribeiro "Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si... Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros...". (1).

Me pareceu importante salientar o quão nosso país é pluricultural, considerando tratar-se de um país de extensão continental, onde a cultura indígena (população autoctone) somada à culturas oriundas da Europa e África formaram a base do chamado Povo Brasileiro e... talvez seja isso que nos confere adjetivos como: criatividade, alegria, energia e beleza, tão presentes em nossa arte e nossa maneira de viver!

(1) Ribeiro, Darcy. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Um comentário:

  1. Hola Meg, busca entre los peruanos del barroco a DIEGO QUISPE TITO; entre los actuales a TILSA TSUCHIYA, para mí una de las mejores pintoras que hemos tenido y era de origen japonés. Otra indigenista es JULIA CODESIDO. Voy a buscar a TARSILA DO AMARAL. En nuestro país hubo cierta influencia de los cubistas, pero fue fuerte la presencia de los muralistas y el carácter de lo mexicano como Diego Rivera; ¿te gusta FRIDA KAHLO?

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