terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Tarsila do Amaral em Madri.

Todos os dias vou ao Bar Samaná para tomar meu café e ler os jornais. Busco meu cantinho cativo (en la esquina de la barra) me ponho a ler El País, Público, El Correo entre outras publicações ... sempre encontro algo sobre o Brasil, seja política, destinos turísticos, esporte e notícias que em geral têm mais peso. No sábado 21, li o artigo que aqui transcrevo. Fala de Tarsila do Amaral e a exposição, aliás primeira exposição individual da artista na Espanha, que a Fundación Juan March de Madri abriu ao público. O artigo tem como estampa a obra "Operários" de 1933. Fiquei muito satisfeita ao saber da exposição, porque há pouco tempo falei sobre Tarsila do Amaral e Anita Malfatti em uma classe de história da arte (ver o post "Arte brasileira para basco ver) e, agora meus amigos de curso terão a oportunidade de ver a exposição e conhecer de perto as obras desse nosso ícone do mundo das artes. Ojala! Que lo pasen muy bien!

"ANTROPOGAFIA: la transformación permanente del tabú del tótem".La frase lapidaria pertenence al Manifesto Antropófago, firmado en 1928 por Mario y Oswaldo (*) de Andrade, y sin embargo no hay mejor definición posible de lo que es la pintura de Tarsila do Amaral, esa sofisticada cosmopolita que prestó en París el servicio militar del cubismo y que regresó a Brasil con la mirada tan renovada que pudo ver por fin lo que hasta entonces había permanecido oculto a sus ojos. Y a los del resto de sus compañeros de generación que, con proyectos como la Semana de Arte Moderna de 1922 y con la edición de revistas como Klaxon y con la todavía más desafiante Antropofagia, tomaban partido por las vanguardias artísticas europeas, decididos a ser como proponía Baudelaire "absolutamente modernos". Y a la vez radicalmente brasileños. El tabú impuesto a los colores chillones era desde luego tan congruente con la exuberancia tropical como lo era el resto de los tabúes articulados por racismo rampante de los crioullos en un país mulato y mestizo como Brasil. Tarsila do Amaral los esafió con cuadros tan emblemáticos como La Negra de 1923 - que fue antropófago antes de la antropofagia, como ella mismo declaró - y que además es un tótem. O sea una figura enigmática que no se parece a nadie de este mundo y que exhibe sin tapujos su exótico poderío formal. A ese cuadro le siguieron otros como los que eran antropófagos hasta el título y como los que expandían las posibilidades del singular totemismo de Tarila, con su aplicación a motivos como el sapo, el armadillo o el toro y con la invención de Urutu, ese alienígena. Sí Oswaldo de Andrade deglutió el tótem y el tabú, que eran temas recurrentes entre los antropólogos franceses de la época, poniendo así en práctica su teoría de la antropofagia, Tarsila so Amaral hizo lo propio con la fascinación de Picasso y los cubistas por el tótem africanos que descubrieron un día en el museo Trocadero e París. Aunque ella dirigió una lección adicional: la del aduanero Rousseau que transformó en una serie de cuadros que son una versión naíf de las favelas, el campo y las playas brasileñas, algunos de los cuales pueden verse - como los antes mencionados - en esta exposición." (Por Carlos Jiménez para El País).

(*) A grafia Oswaldo e não Oswald se dá pelo hábito de traduzir nomes próprios por parte de algumas publicações aqui na Espanha (comentei isso no post anterior).

Exposição: Tarsila do Amaral
Fundación Juan March
Castelló, 77, Madrid
Hasta el 3 de mayo.

Site: http://www.march.es/arte/madrid/temporal/temporal.asp

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A dança das línguas.


"Todo dia duzentos milhões de pessoas levam suas vidas em português. Fazem negócios e escrevem poemas. Brigam no trânsito, contam piadas e declaram amor. Todo dia a língua portuguesa renasce em bocas brasileiras, moçambicanas, goesas, angolanas, chinesas, cabo-verdianas, portuguesas, guineenses. Novas línguas mestiças, temperadas por melodias de todos os continentes, habitadas por deuses muito mais antigos e que ela acolhe como filhos. Língua da qual povos colonizados se apropriaram e que devolvem agora, reinventada. Língua que novos e velhos imigrantes levam consigo para dizer certas coisas que nas outras não cabe." (sinopse do Filme: Língua-Vidas em Portugês de Victor Lopes. Brasil/Portugal, 2004).


Gostaria de somar aos já nominados povos acima uma parcela espanhola... os galegos (oriundos da Comunidad Autónoma Española de Galiza ou Galicia em galego). Por que? Porque são alegres, compreendem ou se esforçam mais para compreender-nos quando falamos, se acercam de nós, lusófonos, com muito mais facilidade que outros... a curiosidade pelo português os fazem mais próximos. Sábado estive na cosmopolita Bilbao com amigos e, entre um vinho e outro, conheci duas galegas: Laura (que vive Pontevedra, Galícia) e Olaia (galega lusofila que vive em Bilbao, País Basco) ambas interessadas na nossa língua portuguesa. Olaia e eu falávamos dos diferentes acentos, livros e cinema... (ela iria ver um filme português "A outra margem" de Luís Filipe Rocha / Portugal, 2007) e, comentávamos que a Espanha comete um erro gravíssimo, na maioria de seus cinemas, exibe todos os filmes dublados... sem som original ou legenda... por isso quase não tenho feito o que mais gostava no Brasil, ir ao cinema. Imagine assistir o filme "Estômago" (de Marcos Jorge, Brasil / Itália, 2007) dublado! Como poderia ouvir o personagem Raimundo Nonato falando em espanhol? É... como ler Saramago e Jorge Amado em espanhol ou Cervantes em português, digo isso por experiência própria, estou lendo "Ensaio sobre a cegueira" de Saramago em espanhol e a leitura não flui.

Observei que a Espanha, luta por um sentido nacional usando a língua como ferramenta para hegemonia e supremacia do Estado (em especial durante o regime Franquista), todavia as comunidades autônomas têm resistido e conseguido manter o uso de suas línguas (galego, catalán, euskera, entre outras) e, algumas inclusive, instituir o ensino obrigatório nas escolas. É curioso que até a língua inglesa aqui é diferente... explico o porque: a pronúncia com acento espanhol fortíssimo e pronunciada ao pé da letra (no inicio estranhei ao ouvir palavras como, wi-fi, rush, punk, label, etc) até aí tudo bem... afinal, falo espanhol com acento português. Porém, o que me chama a atenção e a tradução de nomes próprios (do inglês, alemão, etc) às vezes me provoca riso... porque estou lendo o jornal "El País" ou uma revista ("El Correo" não costuma traduzir os nomes) e me deparo com "La princesa Gracía", "El príncipe Carlos", "El príncipe Enrique" ou ainda Carlos Darwin, Carlos Marx, Ana Frank...Humm! Adivinha quem são? Grace Kelly de Mônaco, Príncipes Charles e Harry da Inglaterra, Charles Darwin (naturalista inglês), Karl Marx (pensador alemão) e Anne Frank (vítima do holocausto).... bem, eu seria então: Margarita. Mas isso nao se trata de regra da academia espanhola e por isso me parece engraçado.... afinal William Shakespeare é William Shakespeare em qualquer lugar do mundo inclusive aqui na Espanha... não vi tradução para o nome por aqui. O que quero dizer é que, se eu me chamo Margarete (equivalente a: Margarita, Margarida, Margareta, Margot), se alguém me chamar na rua por Margarida não vou olhar porque não é meu nome. Compreende?

Diferenças linguísticas à parte, ao final nos entendemos. A linguagem do corpo, bom humor, um bate papo descontraído regado a um bom vinho ou a simplesmente a necessidade de relacionar-se, derrubam qualquer barreira... um exemplo disso, é a família Muguruza (com a qual vivo) acostumada a receber gente de todas as partes, falam espanhol em casa, enquanto as meninas aprendem euskera e inglês na escola. Desde que cheguei em abril passado (4 dias antes de Ilze) escutam português e letão. Às vezes travo, não falo espanhol, nem português, momento em que surge o portunhol ou espaguês, risos, e... nos divertimos, como quando estívemos em Évora, Portugal e eu não conseguia falar português, as palavras simplesmente não saiam. Um mico!

Para terminar, ainda falando ou melhor, escrevendo sobre línguas, em carta aos Coríntios o apóstolo Paulo diz "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine"... Luís de Camões (poeta português) ratificaria Paulo em um de seus Sonetos e, depois gerações de brasileiros cantariam as mesmas palavras através da música "Monte Castelo" da banda Legião Urbana". Palavras que dizem muito num tempo em que os Homens já não se entendem, não mais escutam.

E... se não escutam! Que diferença faz falar uma língua ou outra?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Como Ele entrou na minha vida...


Era Carnaval, eu enfiada no meu quarto garagem - porque na realidade tratava-se de uma garagem convertida em quarto - rodeada de livros, muitos dos quais nunca li, mas estavam ali como figurantes em um filme, juntamente com dvd's e cd's empoeirados, muitos dos quais vi e ouvi mais de uma vez. Num canto um cavalete quebrado, fruto de uma briga com um ex, mas em uso... de vez em quando eu dava umas pinceladas, muito de vez em quando. Noutro canto, outro cavelete com uma tela que eu já tinha pintado não sei quantas vezes e cuja primeira pintura era bem mais interessante, por sorte restou uma foto. Entre telefone, impressora, note book, todas essas tralhas sem as quais euzinha nao sabia viver... passava horas e horas naquele meu mundo, especialmnete no carnaval de 2008, dias chuvosos e nublados. Não saio atrás de bloco, não vou à bailes de carnaval, tão pouco assisto à desfiles de escola de samba, assim que, a internet foi minha principal distração naqueles dias. Estava há algum tempo teclando com um amigo argentino chamado Oscar, guapísimo, boludo y sobérbio... como ele mesmo dizia "Argentina es una fabrica de soberbios"... mas aqueles olhos azuis e aquele sorriso transformava a soberba em modéstia...rs. Passei horas sem dormir teclando com Oscar. Naquela segunda-feira de Carnaval meu celular toca, um pouco cedo pra quem dormiu tão tarde, quando ouvi aquelas palavras em espanhol, escancarei um sorriso como se ele pudesse ver ... e desembestei a falar sem respirar, sem ponto ou vírgula, acreditando tratar-se do argentino, risos... quando parei para escutar me dei conta que não se tratava do Oscar e, aí vieram as desculpas... afinal, falei como se fôssemos velhos amigos e não era um soberbo argentino mas um educado basco que me chamava naquela manhã. Me recompus e meu tom de voz passou de descontraído e sedutor a sério e compenetrado. Não conseguia pensar direito, num misto de sono e decepção imaginava...Quem é esse que está me ligando a essa hora da manhã? O que ele quer? Onde conseguiu meu telefone? Depois de alguns segundos percebi que a chamada se dava por conta de um cadastro que criei em um site de aupair... sei lá de onde eu tirei isso, foi numa dessas minhas andanças pela rede... agora entendo o termo surfar, navegar na rede, expressão que ouvi pela 1a vez na Fenasoft de 96... é "Navegar é preciso, viver não é preciso" já dizia Pompeu (e... ele nem tinha computador naquela época). Foi assim, que atravessei o oceano, sem pensar muito e, vim parar no País Basco, norte da Espanha... terra de Txakolí, Jamón, Chorizo, Casas de Pedra, Esportes Rurais, Jogos de Pelota, Euskera, Eta, etc... e, de quebra Yako, Toulouse, 3 peixes, 2 tartarugas, uns quase 10 gatos, as doces meninas Ainhoa e Nerea e Ele... Às vezes tenho vontade de devorá-lo, para tê-lo num lugar só meu - quase antropofagia no melhor estilo "como era gostoso meu basco"-. Mas... seria muito egoísmo da minha parte não dividí-lo com o resto do mundo. Quantos serão os portos pelos quais ele ainda há de passar nessa vida? Quantas vezes ele ainda terá que pôr o coração à prova e passar por intempéries? Quem sou eu para privá-lo do novo ou do velho? O que sei eu da vida? Eu... que nunca amei! Risos, mas... que vivi e vivo apaixonada por tudo! Aqui sou turista, experimentando sabores, perfumes, cores e... outras coisas mais. Como turista sei que como cheguei, partirei. E... Ele, como entrou na minha vida, sairá. Espero passar incólume, aproveitando cada minuto presente, cada sensação, como disse em outra ocasião "bebendo a vida em grandes goles". Daqui, levarei muitas fotos, Txakolí, alguns livros, experiência de vida e lembranças de um tempo feliz no qual Ele... esteve e estará sempre presente, guardado num cantinho da memória, num lápso de tempo. Um tempo feliz que Ele ajudou a construir. Eskerrik asko!

Arte para todos os gostos e bolsos.


De 11 a 16 de fevereiro acontece em Madri a ARCO Madrid 2009 - 28ª Feria Internacional de Arte Contemporáneo, entre as 239 galerias de 32 países, há 79 galerias espanholas e 4 brasileiras, sendo a Índia o país convidado dessa edição que, segundo Lourdes Fernández - diretora da ARCO 2009 - busca "calidad y atrevimiento" e será "el escaparate de un amplio abanico que acoge desde la vanguardia histórica hasta las últimas creaciones con nuevas tecnologías". Os visitantes poderão ver de Vicky Muniz, passando por Miquel Barceló a Francis Bacon. Ano passado quando a Bienal de São Paulo foi notícia, chamada por alguns de Bienal do Vazio e, o caso da ocupação do espaço por grafiteiros, lembrei da composição de Zeca Baleiro e Zé Ramalho, me refiro à sensação que tive nas poucas vezes que visitei a Bienal de São Paulo, um misto de cansaço e rechaço (rimei). Que me perdoem os artistas, mas muito da arte contemporânea (pop, instalação, performance, minimalista, conceitual, digital e outros tals) é dificil assimilar e quem dirá gostar, ao menos para mim, simples mortal que não chegou (confesso que não sei se quero chegar) a esse nível de fruição ou, será abstração? Algumas vezes vi obras e gostei, parei, olhei de novo, busquei saber algo do artista, noutras, saí com dor de cabeça prometendo que não iria a outros eventos do gênero. Mas... como comentar sem ver? No caso da ARCO Madrid 2009, infelizmente não poderei ir, todavia consegui reunir uma pequena mostra no slide show a seguir, dessa que talvez, seja chamada por alguns de a Feira da Crise como Bienal do Vazio... Gente! "De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos?" ops... isso é Paul Gauguin.





"Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio Faço um quadro com moléculas de hidrogênio Fios de pentelho de um velho armênio Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta Meu conceito parece, à primeira vista, Um barrococó figurativo neo-expressionista Com pitadas de arte nouveau pós-surrealistacalcado da revalorização da natureza morta Minha mãe certa vez disse-me um dia, Vendo minha obra exposta na galeria,"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia E muito mais feio que um hipopótamo insone "Pra entender um trabalho tão moderno É preciso ler o segundo caderno, Calcular o produto bruto interno, Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone, Rodopiando na fúria do ciclone, Reinvento o céu e o inferno Minha mãe não entendeu o subtexto Da arte desmaterializada no presente contexto Reciclando o lixo lá do cesto Chego a um resultado estético bacana Com a graça de Deus e Basquiat Nova York, me espere que eu vou já Picharei com dendê de vatapá Uma psicodélica baiana Misturarei anáguas de viúva Com tampinhas de pepsi e fanta uva Um penico com água da última chuva, Ampolas de injeção de penicilina Desmaterializando a matéria Com a arte pulsando na artéria Boto fogo no gelo da Sibéria Faço até cair neve em Teresina Com o clarão do raio da silibrina Desintegro o poder da bactéria". (Bienal - Zeca Baleiro e Zé Ramalho).

Para saber mais sobre a ARCO Madrid 2009 acesse o site oficial do evento: http://www.ifema.es/ferias/arco/es.html

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Violência de Gênero.

Cartoon da Exposição “A Violência Não Faz o Meu Género” ocorrida no Edifício Novo da Assembleia da República, Portugal (*)

Nós, latino americanos estamos acostumados a ouvir sobre a violência existente nas grandes cidades do Brasil, Colômbia, México, Peru, etc, ora impulsionada pelo narcotráfico, ora pela desigualdade social e pobreza, todavia quando pensamos em Europa, imaginamos (digo isso, porque não conhecemos a realidade e sim o que os meios de comunicação veículam) que a situação seja outra. Em abril fará um ano que estou vivendo na Espanha e ao longo desses meses, além da crise mundial, o desemprego, e o problemas oriundos do câmbio climático, outra notícia que sempre aperece nas manchetes dos jornais (tanto impressos, quanto televisivos) é a violência de gênero. Aqui na Espanha, maltratar e matar mulheres, em geral namoradas, esposas é algo real. Não se trata de acerto de contas de gangues, dívidas de droga, trata-se de crimes passionais por excelência, nas quais algumas vezes o autor do crime suicida-se (poucas vezes eu diria). Hoje ouvi na tv "estávamos há 36 dias sem violência de gênero na Espanha"- me lembrou aqueles cartazes de CIPA em empresas "tantos dias sem acidentes" - até que um homem em Madrid mata sua companheira. Os motivos nem sempre revelados, muitas das vezes a mulher sofria maus tratos, denuncia o companheiro e em seguida é assassinada. Os casos são muitos e não vou aprofundar-me (para mais detalhes ver links ao final).
Quando filmes como: "Cidade de Deus", "Tropa de Elite", "Hotel Huanda", "Traffic", "Diamantes de Sangue", entre outros títulos, são vistos, muitos são os comentários sobre seus países de origem. Somos rotulados como América, África, lugares violentos... quando deveriam dar-se conta da violência praticada aqui mesmo nos lares europeus e, sem distinção, mulheres espanholas, estrangeiras, jovens ou mais velhas, todas virando números estatísticos.
Eu vivi os últimos 4 anos antes de vir para cá, na cidade de São Paulo. Andava pelas ruas à noite, de metrô, de trem, de ônibus e nunca fui assaltada ou abordada de maneira violenta ou suspeita, não creio que seja por sorte, porque se fosse... já teria ganho na loteria, risos. Todavia sei que a violência doméstica existe, assim como tenho consciência de que exista violência contra o homem, em menor escala, mas é fato. O quero é dizer é... que às vezes rotulamos pessoas, países por pura falta de informação, imaginamos que a violência seja prioridade de países em desenvolvimento, quando a verdade não é bem essa, a violência está presente no mundo todo "desde que o mundo é mundo" impulsionada por motivos distintos e diferentes em seu contexto.
Pior que a violência e a falta de justiça, o descaso com que muitos crimes são tratados, em especial no caso de crimes contra a mulher, temos que dar um "basta".

Parafraseando algo célebre "Faça amor, Não faça violência".

Para saber mais sobre os casos de violência de gênero na Espanha acesse: http://www.elpais.com/todo-sobre/tema/Violencia/mujeres/31/


Livros de autores brasileiros:

ELUF, Luiza Nagib. A paixão no banco dos réus : casos passionais célebres : de Pontes Visgueiro a Pimenta Neves. São Paulo: Saraiva, 2002.

RIBEIRO, Sergio Nogueira, 1922 - Crimes passionais e outros temas. 4. ed., Rio de Janeiro: Forense, 2002.

ARDAILLON, Danielle. Quando a Vítima é Mulher : análise de julgamentos de crimes de estupro, espancamento e homicídio. Brasília: Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, 1987.


Filmes:

TE DOY MIS OJOS, dirigido por Icíar Bollaín (Espanha, 2003).
DORMINDO COM INIMIGO, dirigido por Joseph Ruben (EUA, 1991).
ACUSADOS, dirigido por Jonathan Kaplan (EUA, 1988).
CRIME PASSIONAL, dirigido por Erin Dignam (EUA, 1996).
PARA WONG FOO, OBRIGADA POR TUDO!, dirigido por Beeban Kidron (EUA, 1995).
CONTRA TODOS, dirigido por Roberto Moreira (Brasil, 2004).

(*) Extraído do site:
http://mulher.sapo.pt/articles/actualidade/solidariedade/784406.html

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Arte Brasileira para Basco ver.

Nos últimos quatro meses tive a oportunidade de ouvir dois professores distintos nas aulas de história da arte que o Ayutamiento de Orduña em parceria com o Instituto de Estudios de Ocio de la Universidad Deusto ofereceram aqui no Colegio de los Josefinos. Tinha planos de fazer uma pós em História e Sociedade na Universidade Deusto, Bilbao, todavia o curso não foi oferecido por insuficiência de alunos, apesar da decepção inicial, pude perceber que a falta de interesse pela matéria não é privilégio de brasileiro. Voltando às aulas de história da arte, tanto o curso de "Cubismo y Fauvismo: Forma y color en la pintura del siglo XX" dado pelo Prof. Ricardo Aldama quanto "El arte a través de la mirada de las pintoras" dado pela Profa. Itziar Aloria, me mostraram coisas novas e outras já conhecidas sob pontos de vista distintos, que somadas a outros cursos colaboraram para avivar meu interesse pelo assunto. Diferente do curso feito no verão passado na Universidade Deusto "El Interior Holandés en la pintura del siglo XVII europeo", as aulas assistidas aqui em Orduña foram intimistas, descontraídas e mais dinâmicas, em especial pela atuação do Professor Ricardo Aldama e os colegas de classe (éramos 14 alunas e 1 aluno, todos nascidos no País Basco e a brazuca aqui). Durante as aulas, muitas foram às vezes em que me lembrei de coisas do Brasil e não tive dúvida em citá-las, por esse motivo e a pedido dos amigos, em nossa última aula eu apresentei algo sobre História da Arte Brasileira e... digo que para basco ver, porque felizmente eu tinha mais referências da arte na Europa do que os demais em relação à América Latina e Brasil, mas nem por isso estiveram menos interessados.

Confesso que foi gratificante poder falar um pouco sobre as influências, a criatividade, a pluralidade existente no Brasil e mais uma vez mostrar que nosso país vai além da paisagem do Rio de Janeiro, do espetáculo do Carnaval e da beleza e sensualidade da mulher brasileira.

O tempo era curto e quem me conhece sabe que sou detalhista, por isso preparar algo sintético que desse uma noção sobre nossa arte não foi tarefa muito fácil (além do mais a aula teria que ser em espanhol), contudo creio que consegui dar meu recado. Fiquei lisonjeada porque o Professor Ricardo ficou para aula e gostou bastante do que viu e ouviu, usei exemplos muitos próximos do que vimos ao longo das aulas e privilegiei nomes como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, justamente para complementar o curso da Professora Itziar que tratava da mulher artista e a mulher como inspiração. Além do mais na trajetória dessa duas grandes artistas os elementos do Cubismo e Fauvismo estão fortemente presentes, Anita com a cor pura presente em suas pinturas - ver Homem Amarelo - herança do expressionismo e fauvismo, enquanto Tarsila em contato com o cubismo de Fernand Léger, entre outros, nos trouxe a forma como expressão maior em fusão com o espaço - ver Carnaval em Madureira.
Falei da importância da arte rupestre (mostrei fotos do Parque Nacional da Serra da Capivara no Piauí e da Serra da Conceição, Pedra Pintada, em Barão de Cocais, MG), falei do Brasil dos Viajantes, holandeses, franceses e alemães (Frans Post, Jean-Baptiste Debret, Johan Moritz Rugendas) entre outros, que no Brasil estiveram e registraram suas impressões em pinturas, gravuras e desenhos, da criação da escola de Belas Artes no Rio de Janeiro, do Barroco Brasileiro - pintura, arquitetura e escultura - dando enfâse a nomes como: Mestre Ataíde, João Nepomuceno de Castro, José Teófilo de Jesus, José Leandro de Carvalho e Antonio Francisco Lisboa "Aleijadinho", todos ficaram encantados com os detalhes e a riqueza visual desse período, logo, vimos a pintura realista e romântica da academia brasileira, artista como: Pedro Américo, Victor Meirelles, Almeida Júnior, Rodolpho Bernadelli, Artur Timótheo da Costa, José Maria de Medeiros, Rodolfo Amoedo, Belmiro de Almeida, etc, figuraram como personagens importantes da nossa arte. Encerrei a aula com a Semana de Arte Moderna de 1922, introduzindo inicialmente a Lasar Segall e Anita Malfatti como precursores desse importante momento.

Da necessidade de beber em outras fontes e produzir com autonomia uma arte com elementos nacionais, a Semana de Arte Moderna mostrou-nos uma identidade plural e brasileira, como mais tarde ratificaria o antropólogo Darcy Ribeiro "Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si... Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros...". (1).

Me pareceu importante salientar o quão nosso país é pluricultural, considerando tratar-se de um país de extensão continental, onde a cultura indígena (população autoctone) somada à culturas oriundas da Europa e África formaram a base do chamado Povo Brasileiro e... talvez seja isso que nos confere adjetivos como: criatividade, alegria, energia e beleza, tão presentes em nossa arte e nossa maneira de viver!

(1) Ribeiro, Darcy. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

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