segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

SÃO PAULO faz aniversário - 455 Anos.


“É sempre lindo andar na cidade de São Paulo,de São Paulo
O clima engana, a vida é grana em São Paulo
A japonesa loura, a nordestina moura de São Paulo
Gatinhas punks, um jeito yankee de São Paulo, de São Paulo (*)”

São Paulo, a paisagem conta sua história e sua história faz parte da história dos muitos paulistanos e não paulistanos que te escolheram para viver. Que encontraram em suas ruas e esquinas, no antigo e no novo, no concreto e na cultura um motivo para ficar e, que ao partir levam consigo um pouco de ti, deixando na cidade suas memórias.

São Paulo, que nasceu num Pátio e da necessidade de se encontrar um local seguro e bem posicionado como o Planalto de Piratininga, com “ares frios e temperados como os de Espanha" e "uma terra mui sadia, fresca e de boas águas", assim diziam jesuítas como: José de Anchieta e Manoel da Nóbrega que ali chegaram e fundaram, em 1554, o que viria a ser hoje a São Paulo que conhecemos.

São Paulo, metrópole cosmopolita onde o velho e novo se esbarram, o bonito e o feio se confundem, onde o rico e pobre trafegam em seus carros do ano ou em “peruas” de lotação.

São Paulo, das cheias na Várzea do Carmo às enchentes nas marginais, cidade dos muitos rios e seus nomes indígenas – Tamanduateí, Anhangabaú, Tiête – indígenas que somados a outras etnias – portugueses, espanhóis, italianos, japoneses ... – deram vida, cor, sotaques, costumes e feições a essa cidade.

São Paulo, Terra da Garoa, lembrada nos versos da música de muitos compositores, como o ilustre Adoniran Barbosa que cantou tão bem São Paulo e, dizia não poder ficar porque morava em Jaçanã, ou Caetano, que tornou famosa a esquina da Ipiranga com a São João.

São Paulo, na crítica ácida mas verdadeira do contemporâneo Ferrez em “Capão Pecado” ou na literatura do modernista Mário de Andrade "Lá fora o corpo de São Paulo escorre, vida ao guampasso dos arranhacéus".
E por falar em arranhacéus, olhemos para fora das janelas do carro, do ônibus ou do metrô. O que vemos?

Vemos a história de São Paulo através de sua paisagem, composta do feio e do belo, do velho e do novo.

Mas o que seria feio se não conhecêssemos o belo?

Como reconheceríamos a sinuosidade do Vale Anhangabaú sem as linhas retas dos edifícios?

Como perceberíamos o despojamento e o caos dos camelôs no Centro sem a imagem de uma São Paulo elegante e culta da década de 50? Se podemos achar exótico e atrativo os mercados do mundo – Marrakesh, Índia, Hong Kong –, por que não achar graça no balé dos camelôs quando ouvimos nas ruas: Olha o rapa! e deleitar-se ao experimentar um pedaço de abacaxi doce e gelado ou um pastel de bacalhau, enquanto observamos os lindos vitrais do Mercado Municipal.

Quanta mudança! Onde se ouvia os apitos dos trens chegando e partindo, hoje se ouvem os acordes de instrumentos afinados e vozes melodiosas, arquitetura restaurada preservando um pedaço da história. Lá dentro a elite, os bem nascidos, o cheiro de perfume bom. Lá fora? Os excluídos, os sem-teto e, o mal cheiro que exala nas ruas.

São Paulo Cultura é seu nome. Paulista e adjacências, tantos teatros, restaurantes, livrarias, cinemas, espaços expositivos e museus. Ah! Nesse lugar se respira cultura. Mas não podemos esquecer que nessa extensa avenida, bate o coração financeiro dessa que é a maior cidade do país, melhor dizendo, da América Latina! Onde homens e mulheres elegantes disputam espaço pra tomar um café expresso, sem saber que esse mesmo café foi quem deu alma a esse empreendimento chamado Paulista.

São Paulo, Progresso é o seu nome. Essa cidade não pára. Construções babilônicas, avenidas imponentes com seus prédios imensos, espelhados – puro narciso – para atender a demanda que a cada dia cresce mais e mais, homens de negócio que trocaram os carros por helicópteros. Notem, na Berrini quase todos os prédios têm helipontos, valem-se da máxima que “tempo é dinheiro” e por isso não podem perder tempo no trânsito caótico de cidades como São Paulo.

São Paulo, mais uma vez o contraste: os prédios ao fundo se erguem imponentes na Marginal Pinheiros, seguidos pela favela do Jardim Edith, que tempos depois daria lugar a projetos mais ambiciosos. Tudo em nome do progresso. Os neo-liberais, a globalização, o mundo digital chegaram pra ficar, pelo menos ao longo da Marginal Pinheiros, onde pedacinhos de todo o mundo trazido pelas multinacionais dividem os metros quadrados mais caros da cidade. Para quê? Para garantir sua fatia nesse mercado emergente.

Ah... São Paulo! O que era taipa de pilão, hoje é pura fibra óptica. E eu, paulista com origens no Vale do Paraíba, acostumada a calmaria e muito verde, fui parar nessa Selva de Pedra e me apaixonei pela história, pela paisagem e pela vida que ai encontrei.

Parabéns São Paulo!

(*) Foto do Centro de São Paulo a partir do Prédio do Banespa (hoje Santander) tirada em janeiro de 2005.
(*) Trecho da Música "São Paulo, São Paulo" Premeditando o Breque (Premê) / Composição: Oswaldo, Biafra, Claus, Marcelo e Wa.

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