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Câmbios climáticos. A Mãe Natureza reclama!

Lembro-me que pelos idos dos anos 80 ouvi pela primeira vez a expressão efeito estufa (1). Não entendia muito bem do que se tratava, todavia tinha a noção de que algo estava mudando no planeta. Da infância ainda me lembro que as estações do ano eram bem marcadas... da geada que cobria a horta do meu pai no inverno e, deixava uma fina camada de gelo na qual gostávamos de pisar para ouvir o estalito e do sítio da minha avó muito florido na primavera. Lembro-me também da primeira enchente que peguei e que atingiu nossa casa, depois as muitas outras terríveis que castigaram Mogi das Cruzes e por fim, Sampa diversas vezes alagada (as cheias da Várzea do Carmo são nostálgicas se comparadas ao drama dos dias atuais nas marginais e outros pontos da cidade) depois de um dia de verão abafado e asfixiante.

Em 2001 voltava de Minas Gerais (região de Barbacena), saindo na noite do domingo logo após o Reveillon, o ônibus passava pelo Sul de Minas e por algumas cidades do Rio até chegar a minha cidade em S.Paulo. A viagem já era custosa normalmente, quase 10 horas num ônibus convencional... e naquele dia a top, a viagem duraria quase 30 horas. Pegamos ou seria melhor dizer, nos pegou uma terrível enchente ao longo do caminho, cidades inteiras debaixo d'água, prefeitos decretando "estado de calamidade pública" e nós, parados em um congestionamento quilométrico... num determinado momento me pareceu cena de filme (de cinema catástrofe norte-americano) parados, sem comida e sem sinal nos poucos celulares que havia, resolvemos descer do ônibus e buscar um lugar para comprar água e algo para comer, aproveitando também para avisar do ocorrido à família e trabalho. Encontramos um lugar depois de caminhar alguns minutos na estrada, já não havia muito pra comprar, afinal a necessidade era a mesma para os vários viajantes parados naquela estrada. O mais engraçado (porque passado o momento conseguimos ver graça até na desgraça) é que o único telefone público que havia estava quebrado, se não fosse a boa vontade do dono do local em emprestar o telefone para chamadas à cobrar, não sei o que seria daquela multidão, a mesma que cronometrava o tempo que cada um demorava para fazer a chamada, ora aplaudia, ora vaiava o colega. Quando voltei ao ônibus, lembrei que tinha uma embalagem cheia de pães de queijo e bombons de noz, que a saudosa D. Lula (cozinheira de mão cheia) gentilmente fez e me deu quando deixei sua casa em Barroso. Então, distribui pelo ônibus para disfarçar a fome que já apertava. Por fim deu tudo certo e na madrugada da terça-feira cheguei a minha casa.

Dezembro de 2004, estava em Florianópolis, SC e dessa vez o que assutava era o vento. No sul já não é novidade os chamados Ciclones Tropicais ou Extra-Tropicais como o Catarina, contudo e tristemente em 2008 cidades sucumbiram as fortes chuvas que assolaram a região. Acompanhei pelos jornais, internet e informes de amigos a tristeza que tomou conta dos brasileiros. Mais uma vez a solidariedade brasileira se fez notar e foi notícia por aqui também.

Janeiro de 2006, estava viajando pelas Cidades Históricas de Minas Gerais, mais uma vez tivemos por companhia a chuva, prolongava-se por horas e horas. Estradas cheias de buracos, melhor dizendo, buracos cheios de estrada... mas a pior visão, não foi ver estradas esburacadas e sim, ver as crateras deixadas em parte do Mar de Morros - belíssima formação encontrada no estado de Minas Gerais - fruto da exploração desmedida de minérios por parte de grandes empresas nacionais e estrangeiras, não maiores que as feridas abertas na natureza.

Agosto de 2008. Como passei calor no sul da Espanha!!! Estive por Mérida, Cáceres, Sevilha e também em Évora, Portugal, só podia caminhar ao cair da noite... os quase 40 graus que fazia na cidade medieval de Cáceres era de tirar o ar, de desanimar qualquer pessoa. Não fosse as pequenas fontes de água encontradas, com as quais me molhava e tomava novo ânimo, o passeio seria inesquecível não pela beleza dos lugares e sim pela desidratação eminente. As cidades durante o dia eram uma calmaria, até porque todos estavam em suas casas ou no trabalho em ambientes climatizados, nas ruas só os desavisados turistas atreviam-se a "fritar-se" sob um sol escaldante.

Aqui no País Basco, a neve chegou mais cedo, tivemos as primeiras nevadas ainda em novembro de 2008, as temperaturas despencaram próximo ao Natal... mas o pior estava por vir, a chamada Ciclogenesis Explosiva ou Tormenta Perfecta, com ventos que iam dos 110 aos 193km/h passamos noites com medo, no nosso caso um dia sem energia elétrica (para alguns cerca de 4 dias) e no litoral ondas que variavam de 10 a 16m de altura. Depois que os ventos derrubaram árvores, telhados e levaram o que encontraram pelo caminho, veio a chuva de granizo e as inundações... mais uma vez acordamos sem energia elétrica, o primeiro piso da casa (o que seria um porão) amanheceu inundado... problema que resolvemos desobstruindo as saídas de esgoto da casa. Sem mais transtornos retomamos a rotina.

A vida fora do país da gente, nem sempre é um mar de rosas como muitos pensam, problemas há em todas as partes do mundo (assim como fábricas, carros e outros ítens poluentes) e não é privilégio de países em desenvolvimento, talvez a diferença seja como o governo de cada país lida com esses problemas, como estabelece políticas para o meio ambiente, planos de segurança e infra-estrutura à população. A única certeza é que a Mãe Natureza reclama com todo direito seus prejuízos e alguém tem que pagá-los.... em geral a população mais carente de recursos (Alguém tem que pagar o pato, esteja ele limpo ou sujo de óleo).

Uma coisa é passar calor, frio ou pegar chuva quando se está de férias, viajando. Outra coisa é perder tudo ou quase tudo em catástrofes naturais. Mas... Naturais até que ponto? Temos parado para pensar sobre o assunto? Conhecemos nossas responsabilidades diretas ou indiretas relacionadas ao entorno? Temos feito nossa parte? Ou, cruzamos os braços esperando que os governos façam algo? Podemos começar informando-nos e refletindo sobre o tema, em seguida socializando a informação. Quem sabe assim, futuras gerações ainda terão mais que a música de Vilvaldi para desfrutar... estações do ano com suas cores e sensações, as quais a memória nunca esquecerá.

Notas:

Fábrica inglesa /Fotografia: Jason Hawks/Getty Images

(1) O efeito estufa é um fenômeno natural, ele mantém a Terra aquecida ao impedir que os raios solares sejam refletidos para os espaço e que o planeta perca seu calor, sem ele a Terra teria temperaturas medias abaixo de 10ºC negativos. O que vem ocorrendo e o aumento do efeito estufa causado pelas intensas atividades humanas, sendo a principal delas a liberação de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera. Ele é um dos gases que naturalmente contribuem para a o efeito estufa normal do planeta, mas que agora com seu aumento na atmosfera pode intensificar esse efeito, levando a uma aquecimento maior do planeta. A principal fonte de liberação de CO2 é a queima de combustíveis fosseis (combustíveis derivados do petróleo, como a gasolina; carvão e gás natural). Outros gases liberados pelo homem também aumentam o efeito estufa, são eles o Metano, CFC e outros. Fonte: http://br.geocities.com/atitudecologica/

Comentários

  1. Hola, tienes toda la razón; hace menos de un mes colgué en mi blog sobre un gran proyecto de irrigación que ha cambiado a nuestra ciudad y región; este proyecto se llama CHAVIMOCHIC, por las primeras sílabas de los ríos que comprende: CHA-O; VI-RÚ; MO-CHE; y CHI-CAMA. Este proyecto ha cambiado el clima de nuestra ciudad. Hay fenómenos que no podemos cambiar como los terrémotos (aunque las explosiones francesas en el atolón de Mururoa tuvieron una relación con los sucesos de la placa de Nazca que nos afecta directamente y por eso Perú rompió relaciones con Francia en 1971 por poco tiempo) La gente y los medios de comunicación ya no difunden esas noticias que tú cuentas con lujos de detalles, porque ya son tan frecuentes que no "valen la pena" conocerlos. Eso es lo malo, ya sucede todos los días y la gente lo ve como normal; además hay demasiados intereses económicos de CORPORACIONES (palabra cada vez más terrible para la libertad individual de nosotros) como para mover este delicado tema. Acabo de leer de AL GORE ha dicho que la libre empresa y el libre mercado sí pueden ser actores positivos por el cambio climático. Lo dudo: el dinero no tiene nada que ver con proteger nuestro medio ambiente; ellos ni lo sueñan, sobre todo cuando es explotación minera en escala.
    Esperemos que con la recesión económica (no se pide tantos metales) dejen "respirar" el planeta por un buen tiempo, hasta que lo desgracien otra vez.

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