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"Toda arte é uma revolta contra o destino do homem" (*)

Eu não sou especialista em Guerra Civil Espanhola, todavia o tema sempre me atraiu e ainda no Brasil, li e vi coisas a respeito. Hoje na Espanha, abro os jornais, ligo a tv e sempre me deparo com algo novo sobre esse episódio e suas consequências para o país. A casa onde vivo em Orduña, conhecida como Casa Llaguno era de propriedade de personagem poderosa desse período, um nacionalista, franquista, entre outros "istas". Tenho ouvido alguns relatos interessantes sobre a casa e seus antigos moradores, mas essa história lhes contarei em outro momento, agora quero falar sobre a guerra e a arte.


Ontem vi um filme chamado Soldados de Salamina (David Truebas / Espanha- 2003) e comecei a pensar na violência das guerras de maneira geral e, em como a arte pode ser mediadora em momentos como esse. O filme trata entre outras coisas do frustado fuzilamento, por parte da milicia republicana, do escritor e ideólogo falangista Rafael Sánchez Mazas, sua fuga se dá com a cumplicidade tácita de um miliciano - soldado replublicano que dias antes havia emocionado a todos os presos dançando ao som do pasodoble "Suspiros de España" - este o encontra, o encurrala e o deixa partir.


Essa cena me remeteu a outro filme de guerra: O Pianista (Roman Polanski / França-2002) por conta de passagem similar, onde a arte ultrapassa as barreiras ideológicas e faz dos homens, iguais na dor e na alegria. Em O Pianista o judeu polonês, Wladyslaw Szpilman, doente, sozinho e faminto, tem sua vida salva por um oficial alemão, Wilm Hosenfeld, apaixonado pela música, ao ouvir Szpilman tocar "Chopin" e abalado pelos crimes nazistas, decide ajudá-lo a sobreviver, poupando-o.

Quantos mais tiveram compaixão e humanizaram-se em momentos como esse?

Para terminar... hoje pela manhã enquanto tomava meu café, ouvi no rádio a música de Rosario Flores, cuja letra vai ao encontro da minha reflexão sobre a violência e o papel da arte no mundo em que vivemos e compartilho com os amigos a mensagem contida nessa bonita canção.

Rosario Flores - No dudaría

Si pudiera olvidar
Todo aquello que fui
Si pudiera borrar
Todo lo que yo vi
No dudaría
No dudaría en volver a reír

Si pudiera explicar
Las vidas que quite
Si pudiera quemar
Las armas que use
No dudaría
No dudaría en volver a reír

Prometo ver la alegría
Escarmentar de la experiencia
Pero nunca, nunca mas
Usar la violencia

Si pudiera sembrar
Los campos que arrasé
Si pudiera devolver
La paz que quité
No dudaría
No dudaría en volver a reír

Si pudiera olvidar
Aquel llanto que oí
Si pudiera lograr
Apartarlo de mí
No dudaría
No dudaría en volver a reír

Prometo ver la alegría
Escarmentar de la experiencia
Pero nunca, nunca mas
Usar la violencia

(*)André Malraux (1901-1976), escritor francês.

Comentários

  1. Meg,

    Acho que suas reflexões sobre arte, diferenças e a guerra podem ser enriquecidas com a leitura d´"Os Limites da Utopia", de Isaiah Berlim.
    É um livro de ensaios de um letão que estudou e lecionou em Oxford.
    No livro, as diferenças e a guerra são fruto de uma "necessidade" utópica (por incrível que pareça): religiões, nacionalismos, cientificismos e quejandos.

    Acho que você vai gostar.

    Bj carinhoso.

    Roberto.

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  2. Como disse Brecht certa feita, as nações criam os grandes homens a contragosto.

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