quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Aos Mestres com carinho

Tenho passado uns dias sem escrever no Diário, porque estou de viagem em Córdoba (Andaluzia, sul da Espanha). Vim para o "Encuentro de buenas prácticas de Educación para el Desarrollo" e entre o evento, visita a pontos da cidade e amigos, quase não sobra tempo para sentar e escrever, contudo, a conferência que assisti no domingo está pululando em minha mente e tenho que comentá-la, nem tanto pela temática, mais por uma personagem que compunha a mesa. Refiro-me ao Professor Pedro Sáez Ortega (professor de Educación Secundaria (Ensino Médio) de Ciências Sociais (História e Geografia) na IES Clara Campoamor de Madrid, colaborador de várias Fundações e autor de textos e publicações como: "El otro en la construcción de una cultura de paz (2004) e "La educación para la paz en el curriculo de la reforma" (1995). Figura carismática, excelente comunicador e sobretudo apaixonado pela profissão, tanto é assim que ao terminar sua fala ouvimos em uníssono "AAhhh!!! Já acabou?".



A temática ¿Es posible la Educación para el Desarrollo desde la Educación formal? foi apresentada por mesa composta pelo Prof. Pedro Sáez, uma representante do Ensino Fundamental (Escuela Primaria) e outra de Ensino Universitário. Como disse antes não é sobre a temática que que quero falar, é sobre personagens da minha história, professores pelos quais tenho grande admiração e, que ao ouvir Pedro Sáez falar me vieram à mente em um misto de nostalgia e alegria, Mestres que tornaram-se minhas referências. Não se trata de exaltação ao sexo oposto ou "paixonite aguda" que ataca jovenzinhas enamoradas do professor de matemática ou pelo colossal professor de educação física, trata-se de competência, sagacidade, senso de humor e conhecimento. Adjetivos encontrados em professores como: Leandro Karnal (UNISINOS-UNICAMP), Renato Brollezzi (UNICAMP-MASP), Ricardo de Moura Faria (UFMG), José Roberto de Andrade (USP-UNISANT'ANNA), Marcos Horácio (USP-UNIFAI), Ulpiano T. B. Menezes (USP), Ricardo Aldama (DEUSTO) e Pedro Sáez Ortega (MADRID), cada um a sua maneira contribui para manter acesa minha curiosidade e interesse por temas como: história, cinema, literatura, fotografia, artes plásticas e outros quantos temas.

Voltando à conferência de domingo, foi "alucinante", termo esse não muito usual para lusófonos e bastante empregrado por aqui (Espanha) para designar algo que nos deixa boquiabertos, estupefatos. O mais engraçado foi que minutos antes de passarem a palavra ao Professor Pedro Sáez, eu comentei com um amigo: "ese hombre tiene una cara enfadada, aburrido" e meu amigo me diz "estas equivocada, el es un grande comunicador, yá verás". De fato ao começar sua fala, logo se via o quão eloqüente era... de cara me abri num largo sorriso quando soube que Pedro era da História e Geografia, me senti orgulhosa por ter escolhido carreira similar. Um Homem simples, entre 45 e 50 anos, óculos, cabelos desalinhados, mãos grandes que gesticulavam o tempo todo como se estivesse dançando, voz bem postada, no inicio rejeitou um pouco o microfone, logo se acercou dele. O tempo todo fala de maneira séria e muito divertida sobre sua experiência na educação e até nos faz pensar que a coisa de educar é simples e nos deixa bem claro que as coisas dão certo sim, mas que para isso há que se fazer sacrifícios e sobretudo comprometer-se consigo mesmo, com nossos projetos de maneira voluntária sem perder de vista nosso profissionalismo, para tudo há "update" hoje dia, assim que, nós não podemos e nem devemos ficar de fora. Gostaria de ser capaz de reproduzir aqui algumas passagens divertidas e sobretudo esclarecedoras da fala do Professor Pedro, mas não seria o mesmo... sorte têm seus alunos em poder ouví-lo e sorver um pouco mais dessa fonte renovável (porque ele se renova, busca o novo e não se envergonha em dizer que a aprendizagem deve ser atualizada e a busca constante) e foi justamente essa necessidade de buscar o novo que me levou aos outros mestres que aqui citei.
Um desses Mestres foi especialmente importante na minha vida e sob vários aspectos, me ensinou entre outras coisas a diferença entre resumo e paráfrase, me apresentou à poesia de Floberla Espanca, Fernando Pessoa, um pouco da história de Carlos Drummond de Andrade (in locco - Itabira) alguém que com olhos muito expressivos e tristes, com voz baixa mas clara, me ensinou que às vezes: dar o que imaginamos ser o nosso melhor nem sempre é o que o outro precisa e que por isso mesmo não podemos e nem devemos culpar o outro por nossos fracassos.

Para todos meus mestres deixo aqui minha homenagem em forma de Poesia.

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!

Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

(Florbela Espanca /1894-1930)

2 comentários:

  1. Nossa...Meg...me colocar ai no meio dessa turma toda...me envaideceu profundamente!!!
    Tô sem palavras...
    Brigadão!
    beijos

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  2. Dona Margarete,

    Dona: faz 40 logo, logo. E a idade exige respeito.
    Um respeito alegre: a dona é linda!
    Linda e infensa (em todos os sentidos possíveis) ao tempo tradicionalmente organizado.
    Você organiza o tempo nos afetos vividos e, por isso, é capaz de escrever coisas tão bonitas a respeito das gentes, importantes ou não.
    Fiquei comovido!
    Comovido como o diabo!

    Bjs lacrimejantes.

    Roberto.

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