segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Meu infinito particular I.


Foto: Meg_Mamede por Alexandre Salti.

"e ela não passava de uma mulher inconstante e borboleta como todas" (Clarice Lispector)

Daqui exatos 30 dias farei 40 anos. Melhor dizendo 4 décadas, 480 meses, 14.400 dias, para ser mais precisa 345.600 horas de existência. Às vezes acho graça de coisas que ouço sobre a crise dos 40, sobre a idade da loba ou comparações com carros e vinhos (coisas do universo masculino) "a safra de 1968 é muito boa", "hum... você é um reserva com aparência de vinho jovem" perguntas como: "A lataria está boa, mas é a quilometragem?", "É tudo original de fábrica?" Ah! E tem aquela famosa (trecho de música) "panela velha é que faz comida boa". Humor à parte, seria tão mais interessante se a idade fosse medida sem o uso de padrões estéticos, que o comportamento, a forma de vida escolhida, os sorrisos distribuidos, a alegria compartilhada fossem determinantes nessa hora. Imaginem comentários como: "ela deve ser muito feliz e ri muito, olha aquelas rugas", "ela deve ser excelente cozinheira, veja que formas", "que dieta nada, uma barra de chocolate pode ser tão fantástica quanto um orgasmo". Imaginem tudo que deixamos de fazer por puro modismo, por perseguirmos cânones de beleza escravizantes, preço que pagamos por viver em uma sociedade em que envelhecer é preocupante sob vários aspectos. Eu confesso que nasci velha (me refiro ao meu comportamento quando adolescente) fui remoçando num movimento de dentro para fora e isso me mantem jovem, não me refiro a aparência, me refiro ao ânimo, a energia de começar de novo todas às vezes que forem necessárias, a inclinação ao desafio, a vontade de engolir a vida em grandes goles. No momento a única crise que me afeta é a crise financeira mundial, porque afeta as pessoas que conheço e com as quais convivo. Quanto a crise de idade? Essa não vai me pegar, gosto de cada idade que tenho/tive e penso que todas têm seus encantos e necessidades. Quanto a ser Loba ou não! O melhor é não ser Condor (com dor aqui, com dor ali...rs) nem Águia, nem Pomba, nem outro animal ... o melhor é ser você mesma, segura de sí, conhecedora dos seus limites e possibilidades. Viver um dia por vez e desfrutar de tudo que a vida possa oferecer.

2 comentários:

  1. Confesso que eu tb nasci velha...rs
    Adorei isso!

    Concordo que todos esses lances de Crises de Idade, os intas, entas, e etc não passam de bobagens, conformismos e desculpas esdrúxulas para dar-se um tempo na grande missão que é Viver.

    Se é pra viver de crises, eu prefiro as minhas: Crise de riso, de choro, de tesão, de ódio... pq tal qual a personagem Susan de As Ondas eu amo e odeio c/ a mesma intensidade.

    Viva a Vida! e só... assim saberemos lidar com crises,decepções, felicidades sem deixar o tempo parar.
    E já que este é para passar, então que usemos a vida como um grande Desfile.

    Beijões Meg, passarei sempre por aqui.

    "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe."
    (Oscar Wilde)

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  2. Meg Mamede, Minha Mana Mais Velha!!

    Quanto à idade, só faz 40 quem está vivo, e isso é o que importa. Agora, pode-se também contar os anos como eu, que não fiz 34, fiz +1. Hahahaha. O bom da vida é vivê-la!! Lika

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