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1969 - O Homem pisou na Lua e eu na Rua...




Se Santos Dumont pudesse ver o quão alto chegou o Homem. Sorte têm José e Albertina que podem ver onde os passos de sua filha a leva. O Homem vôo altíssimo e chegou à Lua em 20 de julho de 1969 a bordo do Apollo 11, Margarete ainda engatinhava pela casa. Passado seis meses daquele marco histórico, outro marco... Margarete dá seus primeiros passos e no Natal de 1969 posa para sua primeira foto. O Homem na Lua e eu na Rua (adoro rimas). Dei o pontapé inicial as minhas viagens, ou melhor os primeiros passos.

Poema de Carlos Drummond de Andrade: O Homem: as Viagens

“O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.”

(Carlos Drummond de Andrade)

Drummond: 100 anos
Carlos Machado, 2002 Carlos Drummond de Andrade
In As Impurezas do Branco
José Olympio, 1973
© Graña Drummond

Comentários

  1. Adorei esse texto... o jogo das palavras é interessantíssimo, e os textos de um bom gosto íncrivel.
    Depois dos primeiros passos é horrível estagnar, já que o demos, então que seguimos, talvez até correndo e buscando a própria sombra, mas sem desistir... jamais!

    Beijões.

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  2. parábens pelo dia de hoje, bom natal e um ano novo cheio de felicidade, realizações e muita muita saúde

    Sua amiga Claudete

    ResponderExcluir

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