domingo, 30 de novembro de 2008

"Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz" (*)



As décadas de 60 e 70 foram agitadas, os movimentos estudantis pelo mundo, a guerra do Vietnã, o movimento hippie, a discoteca, a revolução sexual feminina, a era punk, músicas com letras protesto e que pregavam o amor e a paz. Todo esse movimento conhecido por Contracultura é hoje um dos motivos que levam gerações a compartilhar desse tema, seja por curiosidade ou por nostalgia.



Só quem usou boca de sino, camisas com golas grandes, minisaias com botas, batas, cabelos compridos no maior estilo "tô nem aí" sabe do que estou falando.


Nossa festa no Bar Samaná rolou ao som de Elvis Presley, Rolling Stones, Beatles, Jimy Hendrix, Janis Joplin, Beach Boys e umas quantas bandas espanholas como: Los Puntos, Los Bravos, Los Diablos, Los Sirex, Formula V e outros. Entre cubas libres, boa música e bons amigos a noite foi curta para tanta alegria. No mundo em que vivemos e desde os 60, nunca a mensagem contida na música de John Lennon foi tão desejada.

(*) Imagine

Imagine que não existe paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
E acima apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também

Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só

Imagine não existir posses
Surpreenderia-me se você conseguisse
Sem necessidades e fome
Uma irmandade humana

Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo

Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só

(Composição de John Lennon)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Nem só de pedras vivem os Bascos

Como nem só de “Pedras” vivem os bascos (vascos em espanhol) organizamos festas de vez em quando. Nesta sexta 28/11 faremos a “Fiesta de los Años 60 / 70” no Bar Samaná. Para Joseba – dono do bar – essa festa já é tradição de alguns anos e a animação toma conta dos frequentadores do bar e convidados. Esses dias tenho passado algum tempo entre a decoração do bar, seleção de músicas e a roupa para tal festa, tudo tem que estar perfeito.


(*) 2003 "Fiesta de los 60" em Samaná.

Sábado aconteceu uma coisa engraçada, estávamos Ilze, Joseba e eu, colando cartazes da festa pela cidade, era tarde da noite, havíamos comido algo e vínhamos de Samaná para casa depois de alguns vinhos, ao pararmos entre os arcos da praça da cidade para colar um cartaz em uma vitrine, passou a polícia basca (Ertzantza), logo deu a volta na praça e nos interceptou quando justamente “eu” estava colando o tal cartaz, como de longe eles não podiam ler do que se tratava, um deles desceu do carro com as mãos no coldre (como é de costume por parte da policia em qualquer parte do mundo) e educadamente (como não é de costume por parte da polícia em algumas partes do mundo) perguntou-nos o que fazíamos. Respondemos o óbvio: tratava-se de um cartaz para festa.


Em seguida ele nos disse boa noite, entrou no carro e seguiu sua ronda. Nós rimos bastante por conta disso, porque aqui a policia têm feito muitas prisões de integrantes do ETA e simpatizantes, e, como há muito cartaz de crítica às políticas públicas e ao governo, publicidade veiculada na calada da noite, qualquer individuo que esteja nesse momento colando um cartaz é suspeito.

Mas voltando à festa e às pedras, para quem não sabe o típico basco é aquele homem que além de gostar de um Txakoli (vinho típico da região) é levantador de pedras, inclusive trata-se de uma modalidade de esporte rural: Levantamiento de Piedra ou Harrijasoketa (nome em euskera). A paisagem por aqui está tomada por casas antigas e sólidas, feitas adivinhe de que? Se, respondeu pedras, acertou! Chego a pensar que Prático o 3º porquinho do conto (dos três porquinhos: Prático, Heitor e Cícero) era basco, afinal o Lobo Mau soprou, soprou e não conseguiu derrubar a tal casa.

Joseba é um desses bascos, não que erga pedras em competições, mas constrói casas e sempre dá um jeito para remover as pedras do caminho - e as da vida também -, seja com retroescavadeira ou de outra maneira. Depois de trabalhar duro há que relaxar e nada melhor que uma festa para isso. Assim que: pedras e festas fazem parte do dia a dia aqui no Pais Basco e desde que cheguei já estive em umas tantas: Otxomaio (Orduña), San Fermin (Pamplona), De la Virgen Blanca (Vitória-Gasteiz), Semana Grande (San Sebastian-Donostia) e Semana Grande (Bilbao) entre outras. Termino com as Frenéticas no melhor estilo Festa Brasileira.

“Abra suas asas
Solte suas feras
Caia na gandaia
Entre nessa festa!...

E leve com você
Seu sonho mais lou
Ou ou ou louco
Eu quero ver esse corpo
Lindo, leve e solto!...

A gente as vezes
Sente, sofre, dança
Sem querer dançar...

Na nossa festa
Vale tudo
Vale ser alguém
Como eu!
Como você!...”

Dancin Days por: As Frenéticas / Composição: Nelson Motta / Rubens Queiroz

terça-feira, 25 de novembro de 2008

"Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro" (*)


(*) Vista do Txarlazo desde casa, foto tirada hoje pela manhã.

E o frio... chegou ainda no outono e eu que sou dos trópicos me remeto ao velho Egito. Por que? Porque estou coberta por camadas de roupas e faço as coisas com pouca mobilidade, mumificada por um casaco que trouxe do Brasil (o qual não tiro para nada, e... quando não o ponho ele sai correndo atrás de mim dizendo "me espera, você me esqueceu, me espera!"). Piadas à parte, posso dizer que o inverno sempre me encantou, imagens bucólicas com montanhas brancas, gotículas congeladas nas árvores, a fumaça que saí das chaminés num balé esquisito ao ritmo do vento ou simplesmente uma caneca de chocolate quente com conhaque antes de dormir. Hoje amanheceu um típico dia de inverno por aqui, logo pela manhã ao abrir a janela me deparei com a Peña (montanha conhecida aqui por Txarlazo) com sua primeira camada de neve eu me senti como uma criança, queria ir até lá para brincar com a neve, mas não subi (por hora) me contentei em tirar algumas fotos aqui de casa mesmo e em seguida peguei um livro para ler - Ensaio sobre a Cegueira de Saramago - não sei porque não me apetece lê-lo - As Instermitências da Morte foi bem mais fluído - este está me custando terminar, me lembra um pouco os livros de Robin Cook - Febre, Coma e Cérebro - que li na adolescência, época em que eu lia tudo que caia na mão, até bula de remédio (rs). Por falar em livros, já o que frio me remeteu a eles, está entre os meus preferidos, além de "Todos os Homens são Mortais" da Simone de Beauvoir, a novela histórica "Angélica, Marquesa dos Anjos" escrita pelo casal Anne e Serge Golon e editada pela primeira vez em 1959 em 14 volumes (os quais devorei aos 19 anos). Leitura essa que alguns classificam como folhetim outros como Literarura cor-de-rosa, como: Sabrina, Julia, Bianca da Ed. Nova Cultural, que há 30 anos alimenta as fantasias românticas de brasileiras(os). Mas, "Angélica a Marquesa dos Anjos" é fascinante, uma viagem ao mundo sem sair de casa, aqueles livros me deixaram acordada por noites e noites... sofri, sorri, me apaixonei junto com as personagens e o melhor de tudo foi que me vi encantada por História. Conheci a França do Rei Sol e todo o seu séquito de aduladores, conspiradores e cortesãs, passei pelos países Árabes e aprendi como o café turco é preparado, decantado, estive em vários lugares em pleno século XVII até a chegada ao Novo Mundo e retornei a essa viagem faz pouco tempo, juntamente com o Conde Fosca da Simone de Beauvoir, viajante no tempo e espaço como Angélica. Ah! Como fui feliz naqueles dias, recordo minha mãe batendo à porta do quarto de madrugada para me perguntar se eu não ia dormir. Enquanto hoje passamos horas em frente ao computador, naqueles tempos levar um livro para cama num dia frio era o que havia de melhor e acredito que até hoje nada substitui esse prazer. Termino dizendo que: o gosto pela leitura me levou a outras paixões, mas... isso é assunto para outro dia.

(*) Trecho da música "Nem um dia" de Djavan.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Meu infinito particular I.


Foto: Meg_Mamede por Alexandre Salti.

"e ela não passava de uma mulher inconstante e borboleta como todas" (Clarice Lispector)

Daqui exatos 30 dias farei 40 anos. Melhor dizendo 4 décadas, 480 meses, 14.400 dias, para ser mais precisa 345.600 horas de existência. Às vezes acho graça de coisas que ouço sobre a crise dos 40, sobre a idade da loba ou comparações com carros e vinhos (coisas do universo masculino) "a safra de 1968 é muito boa", "hum... você é um reserva com aparência de vinho jovem" perguntas como: "A lataria está boa, mas é a quilometragem?", "É tudo original de fábrica?" Ah! E tem aquela famosa (trecho de música) "panela velha é que faz comida boa". Humor à parte, seria tão mais interessante se a idade fosse medida sem o uso de padrões estéticos, que o comportamento, a forma de vida escolhida, os sorrisos distribuidos, a alegria compartilhada fossem determinantes nessa hora. Imaginem comentários como: "ela deve ser muito feliz e ri muito, olha aquelas rugas", "ela deve ser excelente cozinheira, veja que formas", "que dieta nada, uma barra de chocolate pode ser tão fantástica quanto um orgasmo". Imaginem tudo que deixamos de fazer por puro modismo, por perseguirmos cânones de beleza escravizantes, preço que pagamos por viver em uma sociedade em que envelhecer é preocupante sob vários aspectos. Eu confesso que nasci velha (me refiro ao meu comportamento quando adolescente) fui remoçando num movimento de dentro para fora e isso me mantem jovem, não me refiro a aparência, me refiro ao ânimo, a energia de começar de novo todas às vezes que forem necessárias, a inclinação ao desafio, a vontade de engolir a vida em grandes goles. No momento a única crise que me afeta é a crise financeira mundial, porque afeta as pessoas que conheço e com as quais convivo. Quanto a crise de idade? Essa não vai me pegar, gosto de cada idade que tenho/tive e penso que todas têm seus encantos e necessidades. Quanto a ser Loba ou não! O melhor é não ser Condor (com dor aqui, com dor ali...rs) nem Águia, nem Pomba, nem outro animal ... o melhor é ser você mesma, segura de sí, conhecedora dos seus limites e possibilidades. Viver um dia por vez e desfrutar de tudo que a vida possa oferecer.

domingo, 23 de novembro de 2008

"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda" (Cecília Meireles)



No Aurélio, no Houaiss, na poesia da Cecília, na pintura de Caspar(*), no simples ato de abrir os braços e lançar um olhar ao que está sob os nossos pés (*) podemos compreender um pouco mais o que é liberdade. Todavia, ao longo dos anos todas as relações que tive me ensinaram uma coisa: queremos possuir, ter, exigimos o que não podemos dar, queremos mais do que necessitamos e isso nos empobrece enquanto ser humano. Dar sem esperar, compartilhar, perdoar, essas atitudes nos libertam e nos fazem melhor, contudo, não é nada fácil chegar a isso e nem sempre chegamos. Esses dias deparei com uma canção fantástica "A maçã" ouvida tantas vezes e que agora faz algum sentindo para mim (me refiro ao momento que vivo). Talvez o convencional não case bem com liberdade, talvez casamento, sistema financeiro, dietas, relógio, celular, sutiã, ciúmes, modismos, entre outras coisas sejam antônimos de liberdade (só não constam dos dicionários como tal..rs). Para perceber o valor da liberdade temos que conhecer a ausência desta. Liberdade é algo que todos buscamos mas que nem sempre conseguimos dar ao outro.

A Maçã
Composição: Raul Seixas / Paulo Coelho

Se esse amor
Ficar entre nós dois
Vai ser tão pobre amor
Vai se gastar...

Se eu te amo e tu me amas
Um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais...

Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa num altar...

Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais...

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar...

Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais...

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar...


(*) O viajante junto ao mar de névoa [1818]. Óleo sobre tela de Caspar David Friedrich [pintor alemão / 1774-1840]

(*) Foto tirada no Monte Santiago parte da Sierra Salvada, local conhecido pelo nascimento do Rio Nervion, Orduña / Pais Vasco.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

1969 - O Homem pisou na Lua e eu na Rua...




Se Santos Dumont pudesse ver o quão alto chegou o Homem. Sorte têm José e Albertina que podem ver onde os passos de sua filha a leva. O Homem vôo altíssimo e chegou à Lua em 20 de julho de 1969 a bordo do Apollo 11, Margarete ainda engatinhava pela casa. Passado seis meses daquele marco histórico, outro marco... Margarete dá seus primeiros passos e no Natal de 1969 posa para sua primeira foto. O Homem na Lua e eu na Rua (adoro rimas). Dei o pontapé inicial as minhas viagens, ou melhor os primeiros passos.

Poema de Carlos Drummond de Andrade: O Homem: as Viagens

“O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.”

(Carlos Drummond de Andrade)

Drummond: 100 anos
Carlos Machado, 2002 Carlos Drummond de Andrade
In As Impurezas do Branco
José Olympio, 1973
© Graña Drummond

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

1968 o ano que não acabou!

Já sei, já sei... trata-se do livro do jornalista Zuenir Ventura claro, e também, o ano que euzinha nasci e daí? Que ano aquele!! Começa o ano com a passeata do Cem mil no Rio de Janeiro, em maio a França balança (até rimou) ao som de vozes estudantis, outubro quente em S.Paulo na Rua Maria Antonia (Vila Buarque) os alunos da USP e Mackenzie se enfrentam , pra terminar o ano... em 13 de dezembro, o Ato Institucional 5 é decretado - famoso AI-5 - parace até nome de material bélico... o que de certa forma o é! Mas, o melhor desse ano ainda estava por vir, no dia 23 de dezembro na Maternidade Sant'Anna em Mogi das Cruzes a 60 km da capital paulista o casal José e Albertina apresenta ao mundo a filha Margarete ou melhor dizendo apresenta a Margarete o mundo. Assim, faltando 2 dias para o Natal cheguei.... e até hoje, recebo um presente só de aniversário e Natal... que prejuízo (rs). Hoje, quase 40 anos depois começo um diário... 2008 o ano da Crise Econômica Internacional, ano que Ingrid Bittercourt foi resgatada pelo exército colombiano das mãos da FARC, ano em que os EUA elege um afro-americano como presidente e o mundo volta sua atenção para América... o ano em que chego aos "enta" e como a vida começa aos 40 tomarei um vinho para bebemorar e cantarei "deixa a vida me levar, vida leva eu".

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